Por Rogério Marques | Fotografia: Taian Marques

À margem da cidade está a periferia. Lugar discriminado e criminalizado como criadouro de bandidos. Onde o crime é naturalizado pela mídia, que sempre associa a violência ao tráfico de drogas. Droga!

A pobreza explícita revela a triste realidade, mas o povo da periferia resiste à morte anunciada de preto, mulato, índio, que batucam o canto dos tambores. Vítimas de uma guerra que usa armas oficiais, judiciais, midiática, para condenar, encarcerar, matar, sobretudo a juventude.

Como no refrão popular a morte não causa mais espanto. Crianças brincando nos esgotos da infância perdida não causam mais espanto. A vala a céu aberto denuncia os problemas sociais na superfície da periferia. Isso não causa nenhum espanto.

A fileira de casas que rodeiam a bodega expõe o potencial socioeconômico, político e cultural da comunidade, onde habitam trabalhadoras e trabalhadores, artistas, gente que luta todos os dias para sobreviver.

Personagens de uma história real cercada de graves problemas de saúde, transporte, educação, segurança, habitação, saneamento. Na periferia o sol parece nascer quadrado, como a engaiolar as pessoas do lugar. A noite chega com a sua fama de bala perdida, que a polícia jura ser da bandidagem.

Alto lá! A dor da periferia merece respeito. Não! à toda forma de violência e criminalização. Saudações a quem tem coragem de desafiar as regras e se negar a aceitar normas e padrões impostas pelos governos, a igreja, a mídia, a polícia, o judiciário. Resistir e avançar na luta para libertar-se da opressão, defender o sol da liberdade e a igualdade de um novo mundo.

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