José Cruz / Agência Brasil

Há investimentos, opiniões e pedidos um tanto questionáveis na área 

José Cruz / Agência Brasil

Não será a mão esquerda fraturada que irá me impedir de denunciar na única publicação brasileira que permite se olhar com a lupa, até microscópio, as mazelas da agropecuária e do agronegócio, e denunciá-las.

O comum é vê-las assim do alto, para além dos nossos assentados, caboclos, campesinos, ruralistas sem terras (arrendatários) e sertanejos. Ah, também dos pequenos donos de alambiques, produtores do melhor destilado do planeta, a cachaça, e os tiradores de leite puro, pois isentos de pecados enquanto o produto não chega às usinas. É o que noto nas Andanças Capitais.

No último fim de semana, paramentei-me como se fosse desfilar em um bloco carnavalesco. Olhei meu braço imobilizado e fiquei em casa. Dediquei-me à leitura de livros. Que maravilha terminar a leitura de Cronista do Rio, de Lima Barreto, organizado por Beatriz Resende (Autêntica, 2017). Não fosse pelos textos, as fotos são maravilhosas. Em tudo, saudades do Brasil.

De Trotsky, pensara ter lido o suficiente, até que ganhei de um amigo sua biografia (Editora Record, 2017), escrita por Robert Service, professor de história da Rússia em Oxford.

Serão 750 páginas a vencer. Espero terminar durante os dias de Carnaval … de 2019. Se até lá durarem confetes, serpentinas, apitos e eu.

Creio leitores e leitores, nesses quase 5 anos, em todas as minhas colunas dar uma levada de crônica. Gostem ou não, é o meu estilo.

Mas e a nossa vidinha rural como anda? Vocês ainda se interessam por ela? Já entenderam Doriana Júnior e Huck presidentes de um país grande e rico como o Brasil? Pensaram se Rita Cadillac não faria melhor? E Malafaia comparado a Bolsonaro? Diante de opções tão imbricadas sugiro, aos jovens, o estudo da ciência política, antes de votar. Êpa, não se esqueçam de Fernando Collor.

Vamos lá:

1 – Em encontro com Temer, Meirelles, Blairo, em Rio Verde (GO), ruralistas pediram redução de juros para a atividade. Cês também querem? Constantemente, temos sido contestados na Organização Mundial do Comércio (OMC) por subsídios indiretos, via juros;

2 – O País está investindo cerca de 2 bilhões de reais em usinas de etanol de milho, sobretudo no Mato Grosso. Negocialmente, não tenho nada contra, é uma defesa quando há excesso na oferta do grão, mas quando acusamos os EUA de estarem prejudicando a produção de alimentos estávamos certos? Por acaso, a produção de cana-de-açúcar deles é expressiva? E a nossa?

3 – A estimada Sílvia Fagnani, diretora executiva do Sindicato da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal, o Sindiveg, em artigo para a revista Globo Rural, imputa a queda no faturamento da indústria à comercialização de “produtos piratas” – sim, aqueles de olhos de vidro e pernas de pau. Não cita números. Nem seus exorbitantes preços e a substituição por produtos naturais mais efetivos e baratos, que crescem a taxas aceleradas;

4 – A equipe de analistas do Rabobank, no Brasil, é séria e boa. Diz crescer o comércio internacional de hortaliças, legumes e frutas no mundo. Tomara! Brasileiros em atual perrengue são exímios plantadores. Somente com a demanda interna não sobrevivem;

5 – A restrição ambiental na China pode elevar preço de defensivos em 30%, segundo a ChemChina. Boa sorte, produtores brasileiros tradicionalistas;

6 – Por que o preço de terras agricultáveis sobe mais na ‘velha fronteira’, Sul e Sudeste – agrícola do Brasil? Sim, nela a tarefa já foi completada e o investimento para produção imediata é menor. Vão pra MAPITOBA, vão. Comprarão terras baratas, mas depois …;

Em todas as publicações especializadas que li, notei anúncios publicitários, curiosamente, identificados com as matérias expostas. Como sou crítico à maioria delas, não esperem, nelas, um dia, eu escrevendo com a lupa.

Fonte: Carta Capital

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here