Artistas pernambucanos cobram valorização e mais espaço no São João

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Os poderes públicos não têm mostrado muita valorização aos artistas locais

O mês de junho chega trazendo as festividades tão esperadas por boa parte da população. Em Pernambuco não é diferente, e no interior do estado, o São João é a referência dessas comemorações que ainda incluem o Santo Antônio (12/06) e o São Pedro (29/06). Festejos animados, que reforçam tradições religiosas, resgatam a cultura alimentar dos povos e que tem muita dança embaladas por muita música. O forró é o ritmo mais escutado nessa época, é também a oportunidade que muitos artistas que tocam o ritmo têm de mostrar seus trabalhos, resgatando os mais antigos, com trabalhos já consolidados, e também a oportunidade de se conhecer novos artistas.

Mas, apesar de Pernambuco ser um estado de referência para muitos artistas que tocam forró, os poderes públicos não têm mostrado muita valorização aos artistas locais, privilegiando atrações, muitas vezes, de fora do estado, para montar as programações. Do Agreste ao Sertão, tocando forró ou outros ritmos musicais, os artistas locais têm sentido a necessidade de falar para a população sobre a invisibilidade que pouco a pouco vem sendo dada a eles.

Para chamar atenção ao caso, foi lançada a campanha “Devolva Meu São João”. Nela, os artistas denunciam a falta de oportunidades nas programações dos festejos juninos em cidades como Caruaru (PE) e Campina Grande (PB), que tem dado espaço para artistas de outros estados e diminuído o espaço para o forró. A campanha foi idealizada pelo músico Chambinho do Acordeon e vem sendo reforçada por outros forrozeiros. “Os forrozeiros estão se sentindo estranhos no seu próprio território. Falta sensibilidade em ver que a gente está aqui no berço de Luiz Gonzaga, no berço do forró, e logo nesse período de maior efervescência a gente fica de fora”, diz Elmo Oliveira, compositor, músico e poeta, natural de Bodocó, mas que já vive há mais de 20 anos em Ouricuri, no Sertão do Araripe de Pernambuco.

Caruaru 

Em Caruaru, há anos que artistas da cena local vêm construindo o Polo Azulão, um espaço para artistas da região partilharem seu trabalho mostrando que em Caruaru não só o forró faz parte da identidade da cidade. Neste ano, a gestão municipal incluiu o polo como parte da programação oficial, melhorando a estrutura e trazendo importantes nomes da cena musical nacional para integrar a programação. Mas muitos dos artistas que construíram a proposta ao longo dos anos foram deixados de fora da programação. Campanha nas redes sociais foi realizada, em solidariedade ao direito dos artistas locais tocarem no polo, pois foram eles que sempre deram vida ao espaço. A pergunta que fica é: até quando os artistas locais, que dão vida à cena local durante todo o ano, vão continuar sendo desvalorizados, desprestigiados e ficar fora da festa?

// Fonte: Brasil de Fato

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