“Aqui em baixo, quase não há luz em como somos”

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Texto: Taiana Marques

Fernando Frazão/Agência Brasil

É fácil tapar os olhos pra realidade e formar ideia a partir do que você vive. Difícil é ter noção e coragem para expandir a visão e enxergar a realidade como ela realmente é. A vida humana necessita de atenção. É exatamente essa desatenção à vida que nos leva ao caos.

É massa o playboy ter um carro para ostentar, olhar uma roupa e poder comprar, comer num restaurante sofisticado, ter condições de fazer o que quiser. Assim fica fácil apontar o dedo para o moleque de favela e dizer que ele não quer nada com a vida, difícil é viver o que ele vive.

O menor da periferia também tem sonhos, e muitos, mas infelizmente esses sonhos são destruídos e eles acabam se sucumbindo ao mundo fácil do crime. Infelizmente, é o que tem sobrado para eles.

Aqui em baixo não existe guerra às drogas, é guerra aos pobres, negros e de periferia. Os poderosos anunciaram a guerra e ela começou. Enquanto pobre mata pobre, irmão tira a vida de irmão, lá em cima eles assistem à destruição de camarote.

Integrar é essencial, garantir o acesso dos jovens a uma sociedade saudável é fundamental para as suas vidas. Dando-lhes acesso à educação, cultura, e políticas públicas de qualidade.

A falta de atenção à vida faz a favela sangrar todos os dias. Os índices de violência são assustadores e dizem que os menores são os infratores, mas quem dá início a guerra anda fardado e de arma na mão. As armas estão apontadas para o alvo errado, apontem o ódio para a raiz do mal e lute para mudar esse sistema. Estamos vivendo em um Brasil dentro de um outro Brasil que clama por socorro.

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