1 mulher foi assassinada a cada 2 horas no Brasil em 2016, diz anuário do Fórum de Segurança Pública

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Segundo Fórum de Segurança Pública, o número de estupros cresceu 3,5%. A cada dia do ano, foram registrados 135 casos de estupros no Brasil. 

Em 2016, uma mulher foi assassinada a cada duas horas no Brasil. Apesar de haver 4.657 feminicídios no ano passado, apenas 533 casos foram classificados como tal. Para o estudo do Fórum de Segurança Pública, divulgado nesta segunda-feira (30), os dados mostram dificuldades do primeiro ano da implementação da lei.

 

Sancionada em março de 2015 pela então presidente Dilma Rousseff, a Lei do Feminicídio foi implementada para classificar o crime de assassinato de uma mulher cuja motivação envolva o fato de a vítima ser mulher. A lei torna o feminicídio um crime qualificado, ou seja, hediondo.

 

Segundo a pesquisa, o Mato Grosso do Sul é o estado com maior taxa de mortes de mulheres do País concentrando 7,6 mortes por 100 mil habitantes. Os dados mostram que 102 mulheres foram assassinadas no estado no ano passado, concentrando um aumento de 22,9% se comparado ao ano anterior. Ainda segundo o anuário, o Pará é o segundo estado com maior morte de mulheres proporcionalmente, com taxa de 6,8 por 100 mil habitantes, seguido pelo Amapá.

 

Além disso, o número de denúncia de estupros cresceu 3,5% em relação a 2015. Segundo o Fórum de Segurança Pública, que concentra estatísticas oficiais das autoridades de segurança dos estados, foram registradas 49.497 ocorrências de estupro no ano passado. Ou seja, a cada dia do ano, foram registrados 135 casos de estupros no Brasil.

‘Uma bomba atômica por ano’

O estudo também mostra dados alarmantes sobre a segurança dos brasileiros: 7 pessoas foram assassinadas por hora em 2016. Com um crescimento de 3,8% em relação ao ano anterior, as 61.619 mortes violentas intencionais representam o maior número já registrado no País.

O estudo comparou a mortalidade violenta no Brasil com a bomba nuclear que dizimou a cidade de Nagasaki, no Japão. O total de 61,5 mil assassinatos em 2016 equivalem em número, às mortes provocadas pela explosão da bomba em 1945.

As maiores taxas são Sergipe (64 mortes por 100 mil habitantes), Rio Grande do Norte (56,9/100 mil), Alagoas (55,9/100 mil).

Os casos de latrocínios (roubos seguidos de morte) foram outro destaque do Fórum. Em 2016 ocorreram 2.514 assassinatos cometidos durante o ato do roubo ou em consequência dele. Na edição anterior do estudo divulgada em 2010, o número era de 1.593, o que significa um aumento de 57,8% em sete anos.

Letalidade da polícia

Diariamente, cerca de 11 pessoas morreram em decorrência de intervenções de policiais Civis e Militares em 2016. Os 4.224 casos significam um crescimento de 25,8% em relação a 2015. Entre 2009 e 2016, mais de 21.897 pessoas perderam suas vidas em ações policiais.

A maioria dos que perdem sua vida nestas situações é homem (99,3%), tem entre 12 e 29 anos (81,8%) e é negro (76,2% dos casos).

A polícia que mata também morre. No mesmo ano, 437 policiais civis e militares foram vítimas de homicídio, uma alta de 17,5% em relação ao ano de 2015. De novo, o perfil das vítimas é homem (98%), tem idade entre 40 e 49 anos (32%) e é de raça/cor negra (56%).

O estudo indica que o aumento da violência e mortes no Brasil tem relação direta com a crise econômica que o Brasil enfrenta desde 2015. Sem recursos, os estados tendem a reduzir investimentos em estrutura, policiamento e pessoal.

Em 2016, por exemplo, gastos com políticas públicas de segurança totalizaram 81 bilhões por União, Estados e Municípios, uma redução de 2,6% se comparado ao ano anterior. Por ente federativo, o Governo Federal foi o que mais diminuiu seus gastos em segurança pública (-10%).

Fonte: Huffpost

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