LUTADOR DAS LIGAS CAMPONESAS, Mery Medeiros foi preso político durante a ditadura militar na década de 1960.

Com o objetivo de preservar a memória histórica de uma geração que foi massacrada pela repressão militar, ele e vários outros ex-presos políticos fundaram a Associação Norteriograndense de Anistiados.

“Esse é um dos motivos que leva vários companheiros a participarem das reuniões mensais. Isto acontece duas vezes ao mês. Além disso, os encontros servem para tratar de assuntos de interesse dos anistiados. Em nosso estado, estão registrados 150 nomes de ex-presos políticos do regime militar. São homens e mulheres que sofreram tortura ou tiveram perdas irreparáveis porque lutavam contra a desigualdade social”.
Mery aponta a luta de uma das vítimas da ditadura militar, Maurício Anísio de Araújo, que fez greve de fome na tentativa de garantir seus direitos.

O motivo é que o INSS não está cumprindo a Lei da Anistia, que inclui os anos de prisão como tempo de trabalho para a aposentadoria.

Porta-voz dos anistiados em nosso estado, Mery reclama das dificuldades encontradas para reivindicar direitos como as indenizações, por exemplo. Para ele, “o mais importante é que a juventude saiba que o golpe militar de 1964 dirigiu a nação contra a classe operária e estudantil”. Para tanto, realiza palestras em universidades e escolas.

Além do apoio do Conselho Estadual de Direitos Humanos, ele espera contar com a colaboração política da sociedade para não deixar morrer memórias de luta.

Mery Medeiros lembra o jovem Emmanuel Bezerra, vítima da repressão, cruelmente torturado até a morte. Sem contar muitas pessoas que até hoje sofrem as consequências deixadas pela ditadura.

“Prisões de familiares e seqüelas físicas ainda amargam profundamente a vida de muita gente. São pessoas que perderam a identidade. Outras perderam o encanto pela vida”, completa Mery.

Mas a luta da Associação Norteriograndense dos Anistiados não cessa nunca. Seja pela garantia de direitos que estão sendo desrespeitados, seja pela preservação da memória de uma história que não pode ser apagada.