Dados do Atlas da Violência 2018 revelam que, em 2016, no Brasil foram assassinados 33.590 jovens, 94.6% do sexo masculino. Esse número é 7,4% maior em relação ao ano anterior.

 

A taxa de homicídios da população jovem permite observar como este fenômeno se distribui de modo desigual no país, assim como identificar onde o problema é mais grave.

Em 2016, as taxas variaram de 19 homicídios por grupo de 100 mil jovens, no estado de São Paulo, até 142,7 em Sergipe, sendo a taxa média do país 65,5 jovens mortos por grupo de 100 mil.

O gráfico abaixo ilustra as desigualdades entre as unidades da federação. O Rio Grande do Norte ocupa a segunda posição no ranking dos estados que mais matam jovens a cada 100.000 habitantes.

De acordo com o Atlas houve aumento na quantidade de jovens assassinados em vinte Estados, com destaque para Acre (+84,8%) e Amapá (+41,2%), seguidos pelos grupos do Rio de Janeiro, Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte e Roraima, que apresentaram crescimento em torno de 20%, e de Pernambuco, Pará, Tocantins e Rio Grande do Sul, com crescimento entre 15% e 17%.

Em apenas sete estados verificou-se redução, com destaque para Paraíba, Espírito Santo, Ceará e São Paulo, onde houve diminuição entre 13,5% e 15,6%.

Ao longo das últimas décadas a morte de jovens entre 15 e 29 anos é um problema social que vem sendo denunciado. Porém, os governos não se preocupam com políticas públicas especificas para combater os altos índices de homicídios de jovens no Brasil.

As vitimas tem cor

Segundo os dados do Atlas as maiores taxas de homicídios no Rio Grande do Norte são de negros (70,5%). Na década 2006-2016, esse número aumentou 321,1%.

Um dos principais problemas da desigualdade racial no Brasil é a forte concentração de homicídios na população negra. Quando calculadas dentro de grupos populacionais de negros (pretos e pardos) e não negros (brancos, amarelos e indígenas), as taxas de homicídio revelam a gravidade da desigualdade. É como se, em relação à violência letal, negros e não negros vivessem em países completamente distintos.

Os homens jovens negros formam o perfil mais frequente do homicídio no Brasil, sendo muito mais vulneráveis à violência do que os jovens não negros. São também as principais vítimas da ação letal das polícias e o perfil predominante da população prisional do país.