Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

 

Parece que um furacão tomou conta do Brasil nesses últimos dias, trazendo à tona o desespero provocado pela falta de combustível. Uma epidemia que contagiou o país depois que os caminhoneiros decidiram esfriar as boleias dos caminhões e usar suas cargas como protestos nas estradas brasileiras.

 

Além das quilométricas filas nos postos de combustível, serviços como saúde, educação e transporte público começam a falhar. Epa! Isso não é nenhuma novidade. Há tempos a população enfrenta a falta de medicamentos e muitos morrem à míngua em filas de hospitais, alunos e professores enfrentam escolas depredadas e o descaso com a educação, usuários não suportam mais o transporte coletivo de péssima qualidade e os aumentos abusivo nas tarifas. Milhões de brasileiros vivem em condições de total abandono e miséria, onde necessidades básicas como moradia, emprego e alimentação são artigos em falta desde sempre. Uma epidemia que se alastra pelo país afora.

Lá pela década de 1960 o cantador Geraldo Vandré já chamava a atenção para “o poder que cresce sobre a pobreza e faz dos fracos riqueza…”, enquanto o dono senhor de tudo sentado mandando dar. E anunciava a volta do cipó de aroeira/No lombo de quem mandou dar…

O processo seletivo na divisão da economia, do trabalho, da comida entre outras necessidades básicas, está em voga desde a descoberta do nosso Pau Brasil. Uma sujeira política/econômica/social que desvenda uma brutal concentração de renda e a ganância imunda da elite dominante.

A vida sofrida de milhões de seres humanos é invisível para muitos outros seres humanos. Sem contar os que não são humanos. Uma cegueira que ignora a imundície social produzida pelos governantes.

Nesse balanço de perdas e danos caminhoneiros vivem submetidos a relações de trabalho precárias e escravizadas. Os trabalhadores autônomos se veem obrigados a subtrair do frete o pagamento de pedágios e impostos abusivos. A alta dos preços dos combustíveis fez emergir um movimento que colocou essa categoria de trabalhadores na ordem do dia.

De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a Petrobras reajustou o preço da gasolina e do diesel nas refinarias 16 vezes em apenas um mês. Entre 22 de abril e 22 de maio de 2018 o preço da gasolina teve uma alta de 20%. Já o do diesel aumentou 18%. Para o consumidor final, os preços médios nas bombas de combustíveis o litro de gasolina teve um crescimento de 47%, e o litro do óleo diesel alta de 38,4%.

A forte mobilização dos caminhoneiros em todas as estradas do país e que vem causando tanto alvoroço nos palácios, no congresso nacional, na mídia e nas ruas leva a uma reflexão: Quanto custa um caminhoneiro?

A força dessa categoria que parou o país precisa da solidariedade da classe trabalhadora em geral para fazer valer o merecido valor do seu trabalho que, a exemplo de muitas outras categorias, ganha muito pouco para que possa ter uma vida digna.

Enquanto isso, e com o país em desespero, o presidente Michel Temer anunciou neste domingo (27/5) as medidas do governo na tentativa de encerrar a greve dos caminhoneiros, que chega ao 8º dia. Mesmo com o anúncio do governo continuam os protestos nas estradas.

As medidas do governo não mudam a política da Petrobras de aumentos sucessivos e abusivos nos preços do combustível.

→Confira as medidas anunciadas pelo governo

1) Redução de R$ 0,46 no preço do litro do diesel, correspondente à soma dos valores do PIS/Cofins e da Cide.

2) Garantia de congelamento do preço do diesel por 60 dias. Depois, o reajuste será mensal;

3) Medida Provisória para a isenção de eixo suspenso em pedágios nas rodovias federais e nacionais;

4) Tabela mínima de frete, conforme previsto no PL 121, em análise no Congresso;

5) Garantia de que não haverá reoneração de folha de pagamento no setor de transporte de carga;

6) Reserva de 30% do transporte da carga da Conab para motoristas autônomos
l, acompanhada de forte subida dos preços e um arrefecimento económico sem precedentes nas duas últimas décadas.