Meu pai é caminhoneiro, super precarizado pelas relações de trabalho, essas que na estrada são ainda mais flexíveis.

Se existe um movimento de trabalhadores que questionam a alta dos preços dos combustíveis, algo que afeta principalmente os autônomos, que tiram de cada frete a sobrevivência de suas famílias, devemos apoiar os trabalhadores. Essa ojeriza que temos ao conservadorismo da classe média, uma das principais afetadas pela alta dos combustíveis automotivos, não deveria ser usada como arma para deslegitimar o movimento dos trabalhadores caminhoneiros.

Como se a mobilização dos trabalhadores fosse menos justa ou necessária porque setores conservadores suportam o movimento, querendo garantir os próprios interesses.

Essa opção imatura, quase infantil, de abandonar a disputa de consciência entre os setores médios, acreditando que esse conservadorismo é algo inerente e imutável só mostra uma posição cômoda para quem o defende. O inimigo é inatingível e sempre estará lá.

Como se as políticas de conciliação dos governos de centro esquerda tivessem feito qualquer disputa de consciência profunda para que os setores médios entendessem quais políticas fizeram esse setor avançar socialmente.

Sempre optou-se por elevar o padrão de consumo, algo importante, mas que sem uma construção de avanço da organização política da população acabou por ruir. As estruturas conservadoras que comandam o país seguiram seu projeto sem oposição, usando a classe média como massa de manobra quando bem entenderam.

Uma das funções da militância é lutar para o despertar da consciência da classe trabalhadora, não assumir um discurso que a entrega , de mão beijada, para as elites que vivem por devorá-la. É preciso grandeza para entender quem são os verdadeiros inimigos nessa conjuntura. Uma dica: não são os trabalhadores que estão parados nas estradas.