O Coletivo Foque foi fundado há 12 anos com o intuito de ser uma alternativa midiática à chamada grande imprensa, que culturalmente sempre esteve do lado oposto aos trabalhadores…, aos progressistas e a tudo que está mais à esquerda, seja ideológica ou partidária. Quando Rogério Marques me convidou para fazer parte deste projeto, nosso ideal era fazer um projeto profissional, amplo, democrático, sem o pragmatismo que bloqueia qualquer atuação das esquerdas.

O Foque é um farol, usando a metáfora de Walter Lippmann, que no meio do mar ilumina os navegantes. A imprensa é este farol que vai iluminando e tirando da escuridão determinados fatos e verdades para conhecimento público. Sem exclusão ideológica, partidária. Diverso. Por isso “Coletivo”, porque quem quer participar tem espaço, é ouvido e pode opinar. Diferente da exclusão da grande imprensa que muitos pedem que seja justa, pare de manipular ou tratar, por exemplo, as greves das categorias como ilegal por parte dos trabalhadores.

Como dizia o saudoso Vito Gianotti, entrevistado pelo Foque sempre que esteve em Natal e que escreveu um editorial na primeira edição do jornal O Coletivo, a grande mídia está na sua posição. “Nós (os partidos e militantes de esquerda) que não estamos na nossa”. Gianotti defendia que a esquerda financiasse a imprensa e a mídia dessa posição. O que ocorre somente por algumas instituições. E que em Natal ocorreu e ocorre raramente e somos testemunhas disso.

Outro referente da imprensa, professor universitário e entrevistado pelo ‘Coletivo’ em uma das suas edições, José Arbex Júnior, autor de “O jornalismo canalha”, disse: “se a esquerda consumisse os produtos midiáticos da esquerda, a revista Caros Amigos seria a revista mais lida do Brasil”. Isso tudo para exclamar a dificuldade que este projeto teve que passar para pôr os alto-falantes na rua e dá voz aos excluídos na grande imprensa. Movimentos sindicais, culturais, políticos, LGTB, afro. Estes e outros coletivos tiveram cobertura nas páginas do Foque nestes últimos 12 anos.

O Foque segue lutando, e como já dito é um farol no meio da escuridão que é a imprensa natalense. A alternativa vem disso. Para alguns, mídia alternativa é algo pequeno, não especializado, quando, na verdade, a alternativa é muito profissional e especializada dentro do que se propõe e é um canal dedicado aos “excluídos”, a maioria que o mercado chama de “minorias”.

O Foque nasceu, segue e sempre será uma alternativa que o mercado midiático local oferece em seus noticiários e deveria ter uma grande repercussão, e tem, dentro do público que buscar suprir. O mercado chama “alternativo” de um competidor a mais. E o Foque é evidente que compete com qualidade com qualquer meio de comunicação, mas necessita mais apoio para ter os mesmos recursos e poder lutar com as mesmas ferramentas, não seguindo as mesmas práticas.

Desde há alguns anos, o Coletivo Foque se tornou outra metáfora que encaixa como uma luva: “a de o exército de um homem só”, no sentido de instituição, porque encaixaria perfeitamente que o Foque é um Dom Quixote com um fiel escudeiro e alguns e bons aliados que se não são muitos, são o suficiente.

Vida longa ao Foque e que siga sua trajetória de lutas e espaço democrático, onde todos os grupos, movimentos, partidos, entre outros, têm espaço desde que se proponha a dizer a verdade. Para finalizar, como afirmou Hannah Arendt: “Não há esperança de sobrevivência humana sem homens dispostos a dizer o que acontece”. E o Foque é um desses “homens”.