DIFERENÇA DE RENDIMENTOS

No Brasil fatores como Gênero Reforçam as desigualdades

O Dia Internacional do Trabalhador, 1º de maio, traz a oportunidade de aprofundar as reflexões sobre o papel das mulheres na sociedade e as desigualdades persistentes entre gêneros e suas distintas dimensões.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil, em 2016, as mulheres dedicaram aos cuidados de pessoas e/ou afazeres domésticos cerca de 73% a mais de horas do que os homens (18,1 horas contra 10,5horas).

Ao desagregar por região, verifica-se que a maior desigualdade na distribuição de horas dedicadas a estas atividades está na Região Nordeste, onde as mulheres dedicam cerca de 80% a mais de horas do que os homens, alcançando 19 horas semanais.

O recorte por cor ou raça indica que as mulheres pretas ou pardas são as que mais se dedicam aos cuidados de pessoas e/ou aos afazeres domésticos, com o registro de 18,6 horas semanais em 2016.

Observa-se que o indicador pouco varia para os homens quando se considera a cor ou raça ou região de residência.

 

 

Proporção de ocupados em trabalho por tempo parcial, na semana de referência, por sexo (%)

Na maioria da vezes as mulheres precisam combinar trabalho remunerado com afazeres domésticos e cuidados, em muitos casos acabam por trabalhar em ocupações com carga horária reduzida.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), comparação com os homens, as mulheres ainda têm mais de o dobro de chances de serem trabalhadoras familiares não remuneradas. Isso significa que elas contribuem para um negócio familiar voltado para o mercado, muitas vezes sujeitas a condições de emprego vulneráveis, sem contratos escritos, respeito pela legislação trabalhista nem acordos coletivos.

Existem muitas mulheres no trabalho informal, mas poucas em cargos de gestão. Elas enfrentam desigualdades expressivas na qualidade do emprego.

Policiais mulheres no efetivo ativo das polícias militar e civil (%)

Segundo as informações da Estadic 2014, as mulheres representavam 13,4% do efetivo ativo das polícias militares e civis das Unidades da Federação.

A Unidade da Federação com a menor participação de mulheres no somatório do efetivo policial militar e policial civil era o Rio Grande do Norte, com 5,1%, e a que tinha a maior participação era o Amapá, com 23,4%.

Em todas as Unidades da Federação, a participação feminina era menor na polícia militar do que na polícia civil, razão pela qual cabe mencionar a existência de editais de concurso público para o provimento de vagas na polícia militar que estabelecem percentual máximo de vagas para candidatas mulheres.

Cargos gerenciais, por sexo, segundo os grupos de idade e cor ou raça (%)

As desigualdades de gênero também estão presentes em cargos de gestão, as mulheres continuam a enfrentar barreiras do mercado de trabalho para acessar estes postos.

No Brasil, 62,2% dos cargos gerenciais eram ocupados por homens e 37,8% pelas mulheres, em 2016. Em todas as faixas etárias havia uma maior proporção de homens ocupando os cargos gerenciais, o que se agravava nas faixas etárias mais elevadas.

Além disso, a desigualdade entre mulheres pretas ou pardas e os homens pretos ou pardos era maior do que entre as mulheres brancas e os homens brancos. Assim, muito embora as mulheres constituam mais da metade da população brasileira, o fato de estarem sub- representadas em tantas esferas da vida pública no País reforça a necessidade de políticas voltadas para a redução das desigualdades de gênero anteriormente identificadas.

Participação na Câmara Federal

Apesar da existência de cotas, em 20.12.2017, o percentual de cadeiras ocupadas por  mulheres em exercício no Congresso Nacional era de 11,3%. No Senado Federal, composto por eleições majoritárias, 16,0% dos senadores eram mulheres e, na Câmara dos deputados, composta por eleições proporcionais, apenas 10,5% dos deputados federais eram mulheres. Paraíba, Sergipe e Mato Grosso não tinham nenhuma mulher exercendo o cargo de deputada federal na data.

Participação no Senado federal