//Por Rogério Marques 

 

Esta é a manchete de uma reportagem da Carta Capital, que denuncia a multiplicação de processos por assédio moral, um mal que transforma o local de trabalho num ambiente hostil.

A matéria publicada em 2014 expõe um mundo do trabalho dominado pela opressão e a exploração. Diga-se de passagem, um mundo repleto de relações precarizadas.

EXEMPLOS DA VIDA REAL

Imagine uma trabalhadora ser “afetada em seu ânimo psíquico, moral e intelectual”, por sentir-se ofendida, a ponto desse DANO MORAL dificultar sua atividade profissional.

Imagine um jornalista receber uma mensagem via WhatsApp, sete minutos depois da meia noite, informando, “bem cedinho PRECISAMOS da nota”, que por sinal foi enviada um minuto depois. Para completar, às 08:55, chega um áudio seguido de mais uma mensagem reclamando notícia dessa nota porque está precisando urgente e nada, “é uma coisa que é pra ontem”.

Ao reclamar que a nota havia sido solicitada pouco depois da meia-noite, e que não trabalha durante a madrugada, o trabalhador teve como resposta uma mensagem caprichada: “Com nossas assessorias queremos soluções”. Para esse tipo de respostas, vai o nosso recado: Não somos robôs em linha de produção.

Agora, imagine que o responsável por essa prática IMORAL seja presidente de sindicato, que tanto critica o assédio moral no local de trabalho.

Não bastasse a opressão de governos e patrões, “dirigentes” sindicais lançam mão dos mesmos instrumentos opressores para cobrar metas de trabalho sem nenhum planejamento. Práticas que contradizem o histórico de luta do movimento sindical e popular. Para esses(as) “dirigentes” o discurso basta. Quanto às suas práticas… bem, o que importa é defender seus umbigos.

Denúncias semelhantes tem se multiplicado no meio sindical através de diretores(as) que desonram as funções para as quais foram eleitos(as). Tais “sindicalistas” não merecem erguer as bandeiras históricas da classe trabalhadora.

É preciso consciência de classe para fortalecer a luta por igualdade e justiça social. Somos classe trabalhadora e não vamos aceitar nenhuma porrada, seja de que lado vier.

Defendemos o movimento sindical como espaço de luta e emancipação dos trabalhadores e das trabalhadoras, por isso questionamos práticas estranhas ao verdadeiro sindicalismo. Por isso, vamos sempre denunciar condutas anti-sindicais, doa a quem doer.