Foto: Rogério Marques

Por Juary Chagas.

Como é de conhecimento público, no final de 2016 fui demitido politicamente da Caixa Econômica Federal, em função de uma escalada de assédio e perseguição ao meu ativismo político e sindical.

Foi feita uma ampla campanha nacional de denúncia do ocorrido e em abril de 2017 fui reintegrado judicialmente ao trabalho por força de liminar. Trabalhei por 6 meses, até que em outubro de 2017 a Caixa lançou mão de um recurso processual para me manter suspenso e sem salário enquanto processo não fosse julgado.

Mas, a sanha em me manter demitido imediatamente “mudou” em janeiro desde ano.

Após ter sido aprovado em concurso público para assistente social na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, pedi demissão da empresa no dia 22/01/2018 para assumir minha nova função na UFRN e para a surpresa geral de todos, a Caixa se negou a aceitar meu pedido de demissão. Recusou-se a dar baixa na minha Carteira de Trabalho.

Porque não é uma questão de me querer ou não nos seus quadros, mas uma decisão política: teriam que ser eles a me demitir e não eu, pois este é o critério para servir de exemplo a todos os empregados que lutam, que se organizam e se mobilizam.

Pouco importa se essa decisão iria me prejudicar ou não (eu certamente iria sofrer um processo administrativo por acumulação de cargos, correndo o risco de perder meu cargo na UFRN). O importante é assediar, massacrar, perseguir.

Hoje chegou o fim da linha para eles. O juiz da 4ª vara do Trabalho de Natal acatou pedido de tutela de urgência e determinou a baixa na minha Carteira de Trabalho com a data do meu pedido de demissão (22/01/2018), com validade até o julgamento final do processo.

Agora, sem qualquer vínculo ou poder sobre minha força de trabalho, só poderão se defender nos tribunais das denúncias de assédio, perseguição e tentar livrar-se da indenização que devem por todos os vencimentos não pagos durante o tempo que estive suspenso.

Esta vitória é resultado certamente de muita luta, da ampla campanha de denúncias que sindicatos, movimentos, partidos e mandatos de esquerda fizeram.

Dedico esta pequena vitória à memória da companheira Aurora, assistente social da SEMTAS e militante trans que para infelicidade de todos nós tirou sua própria vida no dia de hoje. Do pouco tempo que pude conviver com ela, tive conhecimento das gravíssimas denúncias de assédio moral que sofria no local de trabalho – certamente agravadas por ser homossexual/transexual e militante de esquerda.

Porque não vamos aceitar impunemente a perseguição e o assédio. Não vamos aceitar nenhuma vida a menos, nenhuma hora a mais de sono em claro pelos efeitos devastadores que os patrões e seus capatazes impõem aos nossos.

AVANTE!