// Por ÉRICA GALVÃO | Equipe de Comunicação do PSTU RN // Coletivo Poti Comunicação


Nós mulheres sabemos que os
caminhos e percursos da vida não
estão sendo nada fáceis pelo
simples fato de sermos MULHER.

 

Vivemos em uma sociedade capitalista que, para que exista, reproduz vários tipos de opressões, como ideologias fazendo acontecer a divisão dos trabalhadores. A opressão machista atinge em cheio nossos sonhos, vontades, sentimentos, nos mata aos poucos, nos transforma em seres humanos com limitações. Por que coisas simples para se viver feliz em uma vida são retiradas de nós, o direito ao nosso corpo, o direito de escolher casar, de ter ou não filhos, o direito de ir e vir, o direito de estudar, trabalhar, de respeito, de escolher quem somos, por exemplo, o nosso gênero.

Coisas simples que nos são tolhidas ao longo de nossas vidas, desde o nascimento ao nosso crescimento como adultas. Nesta sociedade somos criadas separadas dos homens no que diz respeito a regras e como elas atuam em nossas vidas. Cada mulher olhando pra dentro de si, de certo após se deparar com o debate sobre as questões do feminismo, vai ter a lembrança de algo que lhe foi tirado por ser mulher, de algo que a machucou por ser mulher, de algo que mudou o curso de sua vida por ser mulher.

Todas nós estamos sujeitas. Sabemos que estamos em processo de avanço nas discussões e pautas feministas, mas também sabemos que nada é fácil. E a contra ofensiva é forte. Estamos em uma luta que só findará com o fim do sistema vigente, o capitalismo.

Nesta semana do 8 de março, dia Internacional da Mulher, mulheres se levantaram no mundo inteiro em passeatas, caminhadas, ocupando espaços, se encontrando, trocando vivências, experiências, resistência e luta. Porém, nesta mesma semana nos chocamos com um episódio que marcou o 8 de março em Natal/RN de 2018. Um professor da UFRN, do curso de Ciências Sociais, expulsou uma aluna que estava acompanhada de sua filha de 5 anos. A aluna chamada Waleska trabalha o dia todo enquanto sua filha fica em creche integral. Waleska faz o curso a noite e, como não é de origem Potiguar, mora com amigos em Natal para realizar os estudos, só podendo faze-lo levando a filha para a sala de aula.

Tudo muito tranquilo, até que um homem, professor com muitas de suas nomeações e formação vasta como o próprio fala, pois um áudio do episódio vazou e, então, todos puderam vivenciar a violência que esta aluna sofreu por parte deste professor. Alípio fez um discurso caloroso e doloroso para ela e todas nós que nos colocamos no mesmo lugar de Waleska, onde questionava o estilo de vida dela, sua irresponsabilidade, questionava se ela não tinha família – e cadê o pai da criança?

Assim, no desenrolar de suas duras palavras, ele expressava a face mais cruel do machismo, de violência emocional e psicológica ao qual ele a submetia. Violência institucional, pois sabemos que não temos direito a creches públicas de qualidade para podermos trabalhar e estudar. Ele violou tantos direitos de Waleska com seu machismo, direito ao estudo, direito de ir e vir, direito de sua filha não sofrer abandono de incapaz, direito de não ter sua vida exposta, questionada, direito de não ser humilhada, por ser mulher, negra, pobre e periférica.

O machismo se manifesta em toda essa situação da forma mais cruel que nos revolta, que nos faz querer seguir em frente para lutar e mudar esse mundo. Todas nós somos Waleskas, todas nós somos mulheres que sofrem com o machismo. Marchemos e lutemos até o fim, pelo fim desta e de outras opressões, pelo fim do Capitalismo.