rosineidePor: Rosineide Pereira da Silva
Assistente Social e Especialista em Envelhecimento

 

A cada ano, milhares de mulheres, em sua maioria vinculada à prostituição, são traficadas para a indústria do sexo em todo o mundo.

Os mecanismos da publicidade, cinema, imprensa e televisão, são utilizados para atingir a alienação da sociedade e para naturalizar a opressão da mulher. Essa desigualdade é fruto deste sistema que está assentado na exploração, no machismo, na violência, na discriminação racial, sexual, cultural e econômica, tornando tudo em objeto para mercadoria, inclusive as pessoas.

O tráfico de Seres Humanos é um comércio lucrativo que vem crescendo e gerando uma grande circulação de capital, favorecendo a impunidade das organizações criminosas do sexo, alienando a sociedade e as mulheres envolvidas.

Dados da OIT de 2005 mostram que a maior parte do trabalho forçado traficado afeta pessoas que trabalham à margem da economia formal, com emprego irregular ou situação de migrado, em condições de exploração. As más condições de vida impostas à maioria pobre da população feminina fazem do comércio do próprio corpo uma alternativa, ainda que degradante, na luta pela sobrevivência. A prostituição em larga escala, como instituição do Estado burguês, também é uma violência desmedida contra as mulheres.

A menos de um mês do mega evento da Copa no Brasil o turismo sexual vai crescer enormemente, os grandes empresários capitalistas já se planejaram ganhar neste evento ganhar bilhões de lucro, preparam suas empresas para receber os turistas, especialmente os que vêm de outros países.

O empresário do Bahamas Club, Renato Frizzi, em entrevista à Folha de São Paulo (23/02/2014), referiu ter preparado um curso básico de idiomas para garotas de programa batizado de “May have a set”, ou seja, “posso me sentar”, linguajar usado  nos programas, segundo ele, “para aproximar as garotas dos clientes”. Esse “comércio” está associado à pobreza, à marginalização e vulnerabilidade desse segmento historicamente subalternizado.

A Fundação Scelles apresenta dados que, mais de 40 milhões de pessoas se prostituem no mundo, sendo a maioria delas, 75%, mulheres entre 13 e 25 anos.

A globalização, as tecnologias de comunicação e informação, assim como as novas formas na organização do trabalho vem alterando o mundo e exigindo dos trabalhadores o desenvolvimento de novas competências para o exercício de sua profissão.

É da natureza do sistema capitalista construir estratégias para disponibilizar ao consumidor uma variedade de produtos e bens de consumo disponíveis nas prateleiras, nas ruas ou na internet.

O Deputado Federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), em 2012, apresentou Projeto de Lei para efetivar a profissão da prostituição, considerando “como profissional do sexo qualquer pessoa com mais de 18 anos que queira, por livre e espontânea vontade, oferecer serviços sexuais em troca de remuneração”. As justificativas  apresentadas no PL são de “desmarginalizar” a prática e aumentar o controle e a fiscalização do Estado sobre o “serviço”, garantindo, supostamente, proteção às mulheres em situação de prostituição.

A legalização da prostituição não vai resolver o problema do tráfico de mulheres, tampouco a exploração sexual em nosso país, porém há necessidade de ampliação do debate sobre a questão do consentimento da vítima ser ou não objeto do tráfico para fins de exploração sexual comercial, para que as mulheres não continuem sendo aliciadas e vítimas do crime organizado. Esse projeto apenas fortalece a continuidade da máfia e dos cafetões, assim como  o machismo e a exploração sexual. Ao contrário do que pensa o Estado e o Deputado Jean Wyllys, afirmamos que sem emprego, saúde, educação, moradia, transporte, lazer e segurança para as mulheres trabalhadoras, na garantia de direitos básicos , reforça  a prostituição muitas vezes como a única “opção” possível para elas. É fundamental garantir oportunidade de emprego e qualificação profissional para que elas possam sobreviver sem ter de recorrer à prostituição. E como parte desse processo, realizar uma ampla campanha contra o machismo, a exploração sexual e a mercantilização da mulher.

O fim da prostituição não se resume à luta contra este projeto, que necessita ser combinada com uma luta contra o sistema capitalista e a construção de uma sociedade socialista, onde não haja classes sociais e se abra o caminho para acabar com qualquer tipo de opressão e exploração.

Ressaltamos que a copa não trará nada que beneficie a vida das mulheres trabalhadoras, ao contrário, as cidades serão invadidas por gringos que já tem como hobby o Brasil para o turismo sexual.

 

Tráfico de Seres Humanos
Por Nando Poeta

 

Ao longo de nossa história

A mulher foi relegada.

O homem impondo sua força

Pra tê-la bem dominada.

Como escrava do prazer

Sem direito a quase nada.

 

No mundo capitalista

Tem preço pra o ser humano.

Virando em mercadoria

É vendido feito pano

Um negócio bem rentável

Engorda o burguês tirano.

 

Mulheres vitimas do mal

Adolescentes, meninas

Levadas por coação

São trocadas por propinas.

Expostas bem nas vitrines,

Como “peças” femininas.

 

O Brasil vive na rota

Do mundo sexual.

Mulheres oferecidas

Na rede comercial.

Ficando bem colocado

No grande ranking global.

 

O tráfico de arma e droga

No crime está bem a frente.

E o de seres humanos

Tem uma alta crescente.

Na terceira posição

O mundo já está ciente.

 

Mulheres aliciadas

Pra “consumo” mundial.

Tratadas como objetos

De forma cruel,brutal.

O tráfico de ser humano

É uma prática banal.

 

O que faz uma mulher

A viver nesse perigo.

No mundo prostituir-se

Não ter casa, nem abrigo.

Sujeita a humilhação

Nesse perverso castigo.

Com certeza a exploração

Pagando baixos salários.

E a falta de empregos

São elementos primários.

A escravidão pra o sexo

Engorda os noticiários.

 

Toda prostituição

Que vem de antigamente.

Na sociedade atual

Hoje é tão deprimente

E as mulheres vendidas

Como se não fosse gente.

 

O turismo para o sexo

É um mercado que rende.

E muita gente importante

No xadrez nunca se prende.

Com a indústria do sexo

A riqueza se estende.

 

A prática da opressão

Mácula e fere o direito.

Com a mulher traficada

Faltam com todo respeito

E muita autoridade

Contra tal, pouco tem feito!

 

Governante entra e sai

E nada de uma melhora.

A situação agrava

Vivemos forte piora.

Dar um basta a esse tráfico

Já passou até da hora.