19 de dezembro de 2018

Plenária em Natal discute reforma da Previdência

Fotografia: Rita de Cássia

Representantes do movimento sindical, a exemplo do Sindesind/RN e Sinasefe Natal, participaram nesta quarta-feira (12/12) de uma plenária em defesa da Previdência.

O evento ocorrido no Sindicato dos Bancários foi organizado pela Frente Potiguar em Defesa da Previdência, Frente Brasil Popular, Frente Povo Sem Medo, além das Centrais Sindicais CUT, CTB, Intersindical e CSP Conlutas.

Na ocasião, o advogado especialista em direito previdenciário, Nereu Linhares, afirmou que o déficit na previdência é um dos maiores problemas do Estado do Rio Grande do Norte, sendo necessárias mudanças no regime.

Ele detalhou, separadamente, o funcionamento dos regimes previdenciários gerais e únicos, destacando a importância do movimento sindical se preparar com os devidos argumentos e informações técnicas necessárias para enfrentar a reforma proposta pelo governo federal.

A professora da UFRN, Luana Myrrha, desmascarou o argumento usado pelo governo para justificar a reforma da Previdência. Ela também destacou que a equiparação de idade ao se aposentar é prejudicial devido as desigualdades entre homens e mulheres que exercem as mesmas funções.

A palavra de ordem da classe trabalhadora nesse momento é resistência, tanto para combater a reforma da Previdência em andamento como para enfrentar toda forma de opressão e exploração praticada pelos governos e os patrões.

Marcha da periferia em Natal ocupa ruas do Bom Pastor

O tema “Reparações Já! Ditadura nunca mais!” deu o tom dos protestos durante a terceira Marcha da Periferia, que aconteceu nesta quinta-feira (29/11) no Bom Pastor, bairro da zona oeste de Natal.

A manifestação iniciou na Escola Estadual Jean Mermoz e seguiu em passeata pelas ruas do bairro até a praça do Beijoqueiro, que serviu como palco para apresentações culturais e encerramento da marcha com batalha de MCs e muito rap para celebrar a cultura da periferia.

→Confira reportagem

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Mostra de Cinema de Gostoso revela novos talentos

A 5ª Mostra de Cinema de Gostoso, que aconteceu de 23 a 27 deste mês no município de São Miguel do Gostoso (RN), levou centenas de moradores e forasteiros para a beira-mar.

Fotografia: Rogério Marques

Quem não conseguia ocupar uma das 450 espreguiçadeiras enfileiradas na areia da praia do Maceió, se acomodava na própria areia iluminada pela lua cheia. Ao final de cada filme, exibido numa tela gigante de primeiríssima qualidade, muitas palmas.

No início de cada sessão era exibido um dos cinco curtas produzidos pelo coletivo Nós do Audiovisual, que é formado por jovens da cidade e comunidades vizinhas. A mostra competitiva exibiu quatro longas-metragens e oito curtas. Além disso, às tardes no centro de cultura eram realizadas sessões panorâmicas de novos longas-metragens e curtas, além da mostra infantil.

Na Pousada dos Ponteiros os debates com realizadores, atores e gente da produção revelavam os bastidores dos filmes exibidos na noite anterior.

Aos 17 anos Renata Alves falou sobre o seu primeiro filme, Derradeiro. “A experiência de ter dirigido um filme foi muito descobridora”, afirmou a integrante do coletivo Nós do Audiovisual.

Para o diretor Manoel Batista, o filme Codinome Breno trata da memória familiar. “Eu busco contar um pouco da história do meu pai, que foi militante em Minas Gerais e foi preso na ditadura”. Ele afirma que é importante ter movimentos de cineastas, artistas, músicos que viveram aquele período para que essa realidade seja contada do ponto de vista dos que sofreram com a ditadura militar no Brasil.

“A Mostra de Cinema de Gostoso é muito importante para o cinema brasileiro. O que eu percebo aqui é uma produção local muito rica, a gente vê projetos com jovens da região fazendo um bom cinema, vejo uma comunidade engajada, interessada, isso é fantástico. Estamos falando de pessoas, de cidadãos, a gente precisa sim de financiamento e apoio púbico, mas a gente precisa entender que é preciso fazer acontecer também sem investimento público. Se ficar esperando apenas pela máquina pública a gente corre o risco de sumir e ser extinto, então essa mostra está de parabéns”, declarou Adriano Cescani, repórter do portal Papo de Cinema.

Segundo o diretor Wallace Yuri, Tingo Lingo é um filme que dialoga com a cultura popular e os riscos eminentes que o trabalhador brasileiro sofre a cada dia. “O filme é uma memória afetiva minha, compartilhada com várias pessoas que já viram vendedores de cavaco chinês.”

O diretor e curador do evento, Eugenio Puppo, informa que a importância da mostra em si é formar público numa região que não tem sala de cinema. “São filmes independentes, autorais, de grande valor artístico e cultural. A gente sabe que o cinema tem um poder formador muito grande, cinema educa, transporta as pessoas para outra realidade, reflete.”

O jornalista Ruy Rocha elogiou a mostra e criticou os festivais de cinema que só se abrem para realizadores muito experientes, que ficam dialogando entre si e bem distantes do público. “A organização desse festival acertou em cheio na integração com a comunidade, na integração entre diferentes realizadores. Aqui você tem a possibilidade de conversar tanto com o pessoal que fez a oficina e tá no primeiro curta, garotada de quinze, vinte e poucos anos, que senta na mesma mesa com realizador mais experiente que já tem uma produção maior, isso deveria ser fundamento de todos os festivais.”

→Confira os filmes escolhidos através de votação popular para o Prêmio Luís da Câmara Cascudo.

Melhor Longa-metragem – Júri Popular
“Meu Nome é Daniel”
Direção: Daniel Gonçalves

Melhor Curta-metragem – Júri Popular
“Guaxuma”
Direção: Nara Normande

Menção Honrosa
“Sócrates”
Direção: Alex Moratto

Prêmio Imprensa – Melhor Longa-metragem
“Inferninho”
Direção: Guto Parente e Pedro Diógenes

Prêmio Imprensa – Melhor Curta-metragem
“Catadora de Gente”
Direção: Mirela Kruel

Prêmio Imprensa – Melhor Filme do Coletivo Nós do Audiovisual
“Filho de Peixe”
Direção: Igor Ribeiro

Prêmio Elo Company de distribuição
“Teoria Sobre um Planeta Estranho”
Direção: Marco Antônio Pereira

Prêmio Mistika de finalização
“P’s”
Direção: Lourival Andrade

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Resistência é uma palavra que, historicamente, mantém-se firme contra a opressão.

Agora, pisadas de um passado assombroso ameaçam a liberdade e a luta por igualdade. Como um capitão do mato encarregado de sequestrar direitos humanos e liberar o trabalho escravo, eis que chega o presidente autoritário, pregando ódio e violência pelo país afora.

Em tempos de repressão contra alunos e professores que ocupam escolas para debater os destinos da educação pública e do país, faz-se necessário fazer da luta de classes uma voz, aos gritos, de que seremos resistência. Até porque não existe neutralidade nessa história, afinal, na sala de aula cabe todas as palavras que, segundo Bakhtin, são ideológicas.

“A desobediência é uma virtude necessária à criatividade”, assim pensava Raul Seixas, que sempre levou o protesto para a sua música. A história do movimento estudantil é um belo exemplo dessa rebeldia. Recentemente, no ano de 2013, mais uma grande demonstração de resistência tomou as ruas de Natal com a Revolta do Busão, um movimento que se estendeu por todo o país com muitas manifestações e a ocupação de escolas. Protestos gigantescos que colocaram na ordem do dia a pauta do passe livre, do transporte coletivo e da escola pública de qualidade. São exemplos de uma consciência política que fez falta às últimas eleições.

Assim como nas ruas, os panfletos devem ir às portas das fábricas e às escolas com o objetivo de protestar e debater sobre as lutas das mulheres, dos povos negros, indígenas, da população LGBT e da classe trabalhadora em geral. A escola sempre viveu, vive e viverá como um espaço vivo de debate para denunciar e derrotar o racismo, o machismo, a pedofilia e todas as formas de opressão.

Ato na governadoria cobra pagamento de salários e décimos dos servidores estaduais

O Fórum Estadual dos Servidores realizou nesta terça-feira (27/11) um ato público no centro administrativo para cobrar o pagamentos dos salários atrasados e 13º de 2017 e 2018.

Foto: Lenilton Lima

Durante a manifestação representantes do fórum foram recebidos pela chefe do gabinete civil, Tatiana Mendes. Mais uma vez o governo apresentou um atestado de incompetência e afirmou que não tem condições para pagar os salários devidos ao funcionalismo público.

Na mesa de negociação a representante do governador Robinson Faria repetiu o papo furado de que as finanças do governo estão acima do limite prudencial imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Ela adiantou ainda que o valor bloqueado é insuficiente para quitar todo o pagamento atrasado.

O próximo passo do Fórum Estadual dos Servidores será uma reunião com o atual governo e a governadora eleita Fátima Bezerra com o objetivo de encontrar um final feliz para a novela do atraso de pagamento.

Para isso, já está marcada uma manifestação, dia 5 de dezembro, em frente ao Tribunal de Justiça do RN. A hora do ato público ainda vai der definida pelas entidades.

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A 3ª edição do Círculo Natalense do Cordel ocorrerá nos próximos dias 15, 16 e 17 na praça Padre João Maria, ali no centro de Natal. vai lá!

“Um evento organizado genuinamente pelo movimento cordeliano”, afirma Nando Poeta, um dos fundadores da Estação do Cordel.

Confira a PROGRAMAÇÃO

Quinta-feira – 15/11

9h | 1ª Exposição do Cordel no RN (Câmara Cascudo, Fabião das Queimadas, Zé Saldanha, Mario de Andrade, Leandro Gomes de Barros)

  • Exposição de Banners – Eventos realizados com o cordel
  • Feira de Cordel – venda e compra de livros, folhetos, camisetas, xilogravuras
  • Visitação de escolas

10h | Workshop de Xilogravura com Jefferson Campos

15h | Fabião das Queimadas na poética potiguar
Debatedor: Irani Medeiros/RN
Coordenador: Jefferson Campos

17h | Abertura solene do 3º ´Círculo Natalense do Cordel
Fala das entidades organizadoras e convidadas: (Estação do Cordel, ANLIC, SPVA)

18h | Palestra: A Poesia no Cenário Literário Brasileiro
Debatedores: Aderaldo Luciano/RJ e Varneci Nascimento/SP
Coordenadora: Tonha Mota/RN

  • Lançamento do livro “Quero morrer na caatinga”, de Aderaldo Luciano

20h | Sarau de Cordel: Participação dos poetas
Declamadores: Varneci Nascimento/SP, Claúdia Borges/RN, Jadson Lima/RN, Ed Carlos, Lino Sapo/RN, Claudson Faustino/RN

  • Lançamento do livro “Invernia”, de Jadson Lima

21h | Zé Martins e Banda Fibra de Coco

Sexta-feira – 16/11

9h | 1ª Exposição do Cordel no RN (Câmara Cascudo, Fabião das Queimadas, Zé Saldanha, Mario de Andrade, Leandro Gomes de Barros)

  • Exposição de Banners – Eventos realizados com o cordel
  • Feira de Cordel – venda e compra de livros, folhetos, camisetas, xilogravuras
  • Visitação de escolas

10h | Câmara Cascudo e os Livros do Povo – 120 anos de Cascudo
Debatedores: Marco Haurélio/SP, Gutemberg Costa/RN e Daliana Cascudo/RN
Coordenador: Marciano Medeiros/RN

14h | A Presença do Cangaço no Cordel
Debatedores: Kydelmir Dantas/PB e Carlos Alberto/RN
Cordenador: Nando Poeta/RN

16h | Atividade externa: Cortejo do Cordel
Concentração na Estação do Cordel e saída pela Cidade Alta no Cordão do Boi Misterioso com declamações em praças e calçadas

17h | Lançamento do livro “Diálogo”, de Eduardo Santa Rosa com Varneci Nascimento

18h | Palestra: O Cordel nas Universidades e Escolas Brasileiras
Debatedores: Zeca Pereira/BA, Geralda Efigênia/RN e Arievaldo Viana/CE
Coordenadora: Cláudia Borges/RN

20h | Fuxico de Feira e o Forró de Tonha Mota

Sábado – 17/11

8h | Café com poesia

1ª Exposição do Cordel no RN (Câmara Cascudo, Fabião das Queimadas, Zé Saldanha, Mario de Andrade, Leandro Gomes de Barros)

  • Exposição de Banners – Eventos realizados com o cordel
  • Feira de Cordel – venda e compra de livros, folhetos, camisetas, xilogravuras
  • Visitação de escolas

10h | Palestra: Cordel, Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro
Debatedores: Rosilene Melo/PB e Maria Alice Amorim/PE
Coordenadora: Izabel Nascimento/SE

14h | Os Clássicos da Literatura e as versões em Cordel
Debatedores: Paiva Neves/CE e Stélio Torquato/CE
Coordenadora: Sírlia Lima/RN

16h | Necrológio dos confrades (Antonio Sobrinho, Domingo Tomás, Luiz Campos, Aldivam Honorato e Manoel Justino) da ANLIC-RN

17h30 | Lançamento de cordéis:

  • O Valente Mendonça e a Herança da Diáspora Africana, de Tereza Custódio
  • Carta de um Guerrilheiro e o Menino que Salvou o Mundo, de Marconi Branco

18h | Mesa de Glosa no Círculo

19h | Sarau de Poetas Mirins
Declamadores: Filipe Borges – São José do Mipibu/RN, Davi Lima – Bom Jesus/RN, Tiago Camilo – Currais Novos/RN, Moises – Mossoró-RN, JP da Cachoeira, Clara Bezerra – Carnaúbas dos Dantas/RN, Ingred Nathália – Pau dos Ferros/RN, Ravi/RN

20h | Show de Encerramento: Repente e Cordel

Declamadores: Antonio Francisco/RN, Tiago Monteiro/PB, Paulo Varela/RN, José Acaci/RN, Cláudia Borges/RN, Felipe Pereira/RN e Robson Renato/RN

→ Realização:

  • Associação Cultural Estação do Cordel/RN
  • Academia Norte-Rio-Grandense de Literatura de Cordel – ANLIC
  • Estação do Cordel: Uma Viagem pela Arte

Inimigo interno

“Com a vitória de Jair Bolsonaro, ganha estridência no Brasil uma fúria anticomunista de cunho patrioteiro, religioso, moralista – e anacrônico”, diz o jornalista Eugênio Bucci em artigo publicado na Folha nesta semana. Bucci relembra o macarthismo nos anos 1950 nos Estados Unidos e o “inimigo interno” do Brasil da ditadura militar para falar das atuais ameaças aos direitos e liberdades individuais, à liberdade de ensino e de imprensa.

 

“A prepotência já pôs duas de suas quatro patas na rampa do Palácio do Planalto. As outras duas logo virão: repressão aberta aos movimentos sociais, pregações contra a liberdade de cátedra nas universidades (e contra a gratuidade de ensino), ações deliberadas para ferir ou matar jornais independentes do governo”, escreve.

Entre a fumaça das fake news e declarações contraditórias, o governo Bolsonaro vai mostrando a sua cara. Seleciona órgãos de imprensa para coletivas, quando não os bloqueia – como fez recentemente no Congresso. Extingue o Ministério do Trabalho, busca aprovar o Escola sem Partido no Legislativo – apesar de projetos similares já terem sido rejeitados no STF – declara abertamente que não pretende demarcar terras indígenas e que vai flexibilizar – ou seja, enfraquecer – a legislação ambiental. Sua resposta para a segurança pública é a exclusão da ilicitude, liberando o homicídio pelas forças de segurança, e o aumento de armas em circulação.

Em meio a esse tiroteio a série “Efeito Colateral”, de Natalia Viana, que revela a letalidade das operações de Garantia de Lei e Ordem (GLO) do Exército no Rio de Janeiro desde 2011, aponta para o trágico equívoco dessa estratégia. E mostra que bom jornalismo é mais necessário do que nunca.

Nesse contexto, dois eventos programados para o fim de semana ganham significado especial. O Festival 3i em Recife, que reúne oito organizações de mídia digital, do qual a Pública participa, e a Conversa Pública “O Brasil no Divã”, com Maria Rita Kehl e Luiz Eduardo Soares, no Rio de Janeiro. Ou seja, muito papo e colo nesse momento “obscurantista”, como define Bucci. Acompanhem.

Marina Amaral, codiretora da Agência Pública

Como resistir aos ditadores!

 

Somos um coletivo de imprensa livre criado para gritar. E gritamos. Reclamamos. Não nos sujeitamos aos manuais de redação. Nosso grito é um eco contra a opressão. Entretanto, refém dos modos de produção, somos bombardeados pela máquina de moer informações, estruturalmente gerenciada pelos mercadores de notícias bancados pelo grande capital.

 

Porém, assim como na canção dos Engenheiros do Hawaii, nós vibramos em outra frequência. Pois é, seria mais fácil “o caminho mais curto, produto que rende mais”, contudo, não pretendemos ser essa máquina de representar, que reproduz “negociantes de frases” a serviço da burguesia, como afirmou Balzac lá no século XIX.

Mesmo com todas as pedras no meio do caminho, não nos rendemos aos poderosos. A nossa imprensa livre segue os interesses da classe trabalhadora. Apesar de todas as nossas limitações estruturais, isso não nos torna menor. Somos operários da informação preparados para fazer o grito ecoar e resistir à toda opressão.

Os direitos humanos e a liberdade são as nossas bandeiras. Daí nosso brado retumbante para desmascarar e combater ditaduras e seus ditadores. Afinal, os direitos podem e devem ser iguais para todas as pessoas.

O nosso ideal não poderia ser omisso diante da desumanização deste momento eleitoral praticada por um candidato que é capaz de tudo para sentar na cadeira de presidente. Para isso, vale até torturar e matar.

O bravo mentiroso, que usa Deus e a família no seu vocabulário de ódio, é na verdade um apóstolo da ditadura, que propaga a violência contra todas as pessoas que discordam das suas ideias.
A epidemia que espalha esse ódio pelo país e ataca a população deixa rastros de sangue derramado por força da brutalidade incentivada pelo candidato populista.

Refletir com clareza esse momento eleitoral pode evitar a reprodução do ódio, do medo, da opressão que fere e mata. Ouvir o grito por igualdade de direitos e liberdade basta para saber de que lado você está. Ao votar, aperte o botão da consciência e não com as mãos sujas de sangue.

A hora é de resistir!

Uma aula pública agitou o centro de Natal na tarde desta quarta-feira (24/10).

O núcleo RN da Rede de Educadores Populares do Nordeste ocupou a praça Kennedy para debater junto com a população sobre a luta de resistência em defesa da democracia. A atividade foi promovida pela Escola de Formação Kilombo dos Palmares.

Para a professora Leuça Duarte, a proposta é discutir nos espaços públicos a importância da democratização em tempos difíceis, desmascarando os medos colocados diante de atitudes fascistas.

A educadora popular Gerlane Silva afirma que diante de tanta temerosidade em nosso país, é preciso defender a democracia.

Uma aula de resistência contra o arbítrio que se impõe nesse momento de eleições para presidente do Brasil. Uma lição que expôs uma campanha eleitoral manipulada por um candidato que atiça ódio e preconceito.

Com as bandeiras na rua
Ninguém pode nos calar

Assim como as fábricas, as praças e as ruas precisam de mais aulas públicas para desmascarar o vergonhoso papel praticado pela mídia empresarial, que tem contribuído historicamente para deseducar a população.

Temas que sempre foram excluídos dos livros ditáticos – ditadura, democracia, tortura, racismo, homofobia, machismo – precisam ser discutidos a fundo para acabar com a censura e a desinformação que toma conta da nossa sociedade. O refrão do cantador popular César Teixeira nos dá um puxão de orelha:

E diga sim,
A quem nos quer abraçar,
Mas se for pra enganar,
Diga não…

 

É preciso vencer o canhão mais uma vez!

Foto: Taian Marques/Coletivo Foque

 

PAÍS SOB AS GARRAS DA CORRUPÇÃO, CLASSE TRABALHADORA INSATISFEITA,
O POVO CLAMA POR UM SALVADOR DA PÁTRIA.

Um político calculista, vivendo há 30 anos na sombra do poder, encontra a solução. Fantasiado de Messias, ele prega a profecia como arma para arrebanhar seguidores e chegar ao poder. O falso moralista vira um fenômeno na mídia.

Fuzil e ódio são as principais bandeiras desse candidato que promete trazer de volta o fascismo que no passado assassinou milhões de pessoas nos campos de concentração e nos cárceres da ditadura.

O falso discurso moralista faz Bolsonaro parecer o candidato ideal. Mas esse novo disfarce é desmascarado pelo seu apelo ao machismo, à homofobia, ao racismo e ao fascismo que revela seus planos para pôr um fim ao ativismo que historicamente luta por igualdade e justiça social.

Lembra do nazismo? Pois é, assim como na antiga Alemanha, ele quer governar a nação brasileira com a sua ideologia diabólica. Para se transformar no líder mais poderoso do país ele manipula a imagem de Deus e da família em meio ao seu discurso de ódio.

Seu programa de governo propõe acabar com a violência matando negros e pobres, além de condenar a liberdade e as diferenças. Uma sede de poder que promete resolver o problema de segurança cometendo crimes.

Não se enganem, a alta cúpula de um governo Bolsonaro representa a volta de um passado que a história condena. Nem precisa dizer que os direitos humanos não têm vez no programa de um candidato que tem verdadeira idolatria pelo coronel Ustra, reconhecido torturador que aterrorizou ativistas do movimento estudantil, sindical e popular durante o regime militar no Brasil.

Vivemos um momento eleitoral que traz à tona os horrores do passado ao alimentar um monstro com milhões de votos no primeiro turno das eleições presidenciais. Uma grave ameaça à democracia, aos direitos humanos, aos movimentos de luta por moradia, terra, pão e liberdade.

Testemunhamos, diariamente, o candidato Jair Bolsonaro pregando o ódio contra mulheres, homossexuais, negros, sem-teto, sem-terra, indígenas, ativistas e moradores da periferia. Um candidato que representa verdadeiro perigo à sociedade com uma mentalidade de linchamento moral aos que se manifestam contra suas ideias.

Suas declarações sobre economia, direitos trabalhistas e sociais demostram um comportamento de fiel escudeiro do capitalismo. Não é à toa que ele já afirmou que “o trabalhador precisa escolher entre ter direitos ou ter emprego”, “Que mulher tem que ganhar menos porque engravida”. Além de declarar publicamente que vai acabar com todo tipo de ativismo.

Mas do que nunca, faz-se necessário seguir nosso ativismo pela causa dos direitos humanos, que neste momento são desrespeitados e agredidos pela patriotice, que é o patriotismo simulado, falso, de um candidato que explora a mentira para se dar bem.

Faça do seu voto uma atitude contra essa onda de intolerância que toma conta do nosso país. #EleNão representa o grito contra esse impostor chamado Bolsonaro, que não tem nada de novo nem é honesto. Queremos um país com direitos iguais para todos, independente de cor, raça, opção sexual. Um país de um povo livre e soberano.

É hora de lembrar a luta de resistência no refrão de quem foi vítima do golpe de 1964:

“Os amores na mente, as flores no chão
A certeza na frente, a história na mão
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão
E acreditam nas flores vencendo o canhão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição”

(Geraldo Vandré)

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