15 de outubro de 2018

Tortura: face cruel da Ditadura Militar/Civil

1964: aconteceu em abril
(Para Mailde)

Abril tempos de repensar
Falar é necessário
Democracia, liberdades em risco.
Tempos de uma legalidade interrompida
Dias sombrios
Golpe, não revolução!
21 anos de obscurantismo
Torturas
Prisões
Desaparecidos políticos!

 POR LUCIANO CAPISTRANO // PROFESSOR E HISTORIADOR

 

O estudante Augusto César Salles Galvão, 21 anos, em depoimento, cita alguns dos aparelhos utilizados nos interrogatórios dos presos políticos feitos nas dependências dos órgãos de segurança. O pau-de-arara consiste numa barra de ferro que é atravessada entre os punhos amarrados e a dobra do joelho, sendo o “conjunto” colocado entre duas mesas, ficando o corpo do torturado pendurado cerca de 20 ou 30 centímetros do solo. Este método quase nunca é usado isoladamente, seus “complementos” normais são eletrochoques, a palmatória e afogamento (BRASIL, 1985, p. 34).

Estes instrumentos de tortura citados no depoimento não foram usados nos calabouços da Idade Média, foram utilizados na história recente do Brasil. Na verdade, enquanto festejávamos a conquista do tricampeonato mundial de futebol, em 1970 no México, nos DOI/CODI e DEOPS, ouvia-se o som da tortura, corpos sendo dilacerados em unidades militares, transfiguradas de casas dos horrores. Era o início da década de 1970, quando ocorreu um endurecimento do regime sob o comando do Presidente General Garrastazu Médici.

As Forças Armadas participaram ativamente nas ações repressivas, com seus organismos: CISA (Centro de Informação Social da Aeronáutica), CENIMAR (Centro de Informação da Marinha) e CIE (Centro de Informação do Exército). A cidadania, os direitos humanos, eram palavras mortas, pois, ser preso por qualquer um desses órgãos significava, invariavelmente, a tortura e, para muitos, a morte. Os assassinatos eram encobertos com versões falsas de “atropelamento”, ou, “morte em tiroteio” que eram divulgados pelos meios de comunicação, ou, simplesmente as autoridades negavam ter feito as prisões (HABERT, 1992, p. 28) .

As prisões eram verdadeiros infernos, para alguns uma experiência enlouquecedora. Além das sevícias sofridas, os presos políticos tinham de se adaptar a ambientes insalubres. Luís Mir, em A Revolução Impossível, relata a situação dos cárceres brasileiros: Dois dos principais castigos no DOI/CODI, a cela refrigerada, com luz potente permanentemente acesa e uma temperatura que deixava os presos, nus, em estado pavoroso. No presídio Tiradentes, era a cela forte, ou cela de leão. Solitária medieval, sem banheiro, completamente escura, sem qualquer ventilação. A sensação era de ser enterrado vivo (MIR, 1994, p. 47).

Casa dos horrores, esta deve ser a denominação mais correta para essas prisões. Poucas foram as denúncias públicas sobre o que acontecia nestas instituições prisionais.
A imprensa vivia sob forte censura.

Em 1974, com o desmantelamento das organizações de esquerda, o enfraquecimento da guerrilha urbana e os últimos momentos da guerrilha do Araguaia, o Presidente General Ernesto Geisel, assessorado por Golbery do Couto e Silva, apresenta um projeto político de volta gradual e lento da normalidade democrática. A política de distensão, lenta, gradual e segura.

Não significou o fim da tortura, dos assassinatos, das prisões ilegais, enfim, da perseguição política. Como observou Gorender (1998, p.32): Não podia ser mantido, por conseguinte o nível de repressão policial característico do governo Médici. Não se tratava de desmobilizar a repressão, porém de torná-la seletiva e discreta.

Neste período, os órgãos de repressão policial fecharam o cerco sobre o PCB (Partido Comunista Brasileiro). Até então a preocupação era com as organizações da esquerda armada. Uma ostensiva operação repressiva, entre 1974 e 1975, levou dez nomes desta agremiação a fazer parte da lista dos desaparecidos políticos, entre eles, Luiz Maranhão Filho e Hiram Pereira, norte-riograndenses.

A palavra
Silenciada
Não é palavra
É calabouço.

A esposa de Luiz Maranhão Filho, em maio de 1974, denunciou que ele estava em São Paulo, sendo torturado pelo delegado Fleury. Até hoje seus familiares não puderam fazer um enterro digno, seu corpo continua desaparecido. E o ex sargento do exército, Marival Chaves, revelou que Hiram foi interrogado no centro de tortura e execução, implantado clandestinamente pelo DOI/CODI, em Itapevi, na grande São Paulo, morreu sob tortura e o seu corpo foi lançado em um rio próximo a Avaré (SP).
(MIRANDA; TIBÚRCIO, 1999, p. 324-327)

O desmonte do aparelho repressivo não foi um processo fácil. Na luta para o restabelecimento das garantias individuais, destacaram-se a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e ABI (Associação Brasileira de Imprensa).

Finalizo este curto artigo com Ulisses Guimarães: “A sociedade foi Rubens Paiva, não os facínoras que o mataram”.

REFERÊNCIAS

BRASIL, nunca mais: um relato para a história. Petrópolis: Vozes, 1985
GORENDER, Jacob. Combate nas trevas. São Paulo, 1998.
HABERT, Nadine. A década de 70. São Paulo: Ática, 1992.
MIRANDA, Nilmário; TIBÚRCIO, Carlos. Dos filhos deste solo: mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura militar. São Paulo: BOITEMPO/Fundação Perseu Abramo, 1999.os deste solo: mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura militar. São Paulo: BOITEMPO/Fundação Perseu Abramo, 1999.

Muito cuidado na hora de votar

“Um país que crianças elimina
Que não ouve o clamor dos esquecidos
Onde nunca os humildes são ouvidos
Mas corruptos têm voz e vez e bis”

[O meu país, Zé Ramalho]

Charge: Ivan Cabral

Eleição é um jogo de cartas marcadas. O poder econômico é a principal arma dos corruptos para garantir seus mandatos.

 

As candidaturas da classe dominante que se perpetuam no poder tentam aparecer na propaganda eleitoral como se fossem a favor do povo e da classe trabalhadora. Na verdade, essas candidaturas da elite são responsáveis pelo congelamento de investimentos nos serviços públicos e pela retirada dos direitos a exemplo da reforma trabalhista, terceirização e privatizações.

Os candidatos ricos, quando eleitos, só favorecem seus aliados políticos, banqueiros e grandes empresários, que patrocinam suas campanhas milionárias. Enquanto isso, o povo sofre nas filas dos hospitais e unidades de saúde que não oferecem nenhum respeito pelo paciente. Muitos morrem à míngua esperando por um atendimento digno. Demais serviços públicos, como educação, transporte e segurança são verdadeiras sucatas, mais uma demonstração do desprezo sofrido pela população.

Milhões são gastos para fazer candidatos e candidatas aparecerem bonitos(as) na televisão e conquistar os votos que vão garantir mais um mandato tranquilo, enquanto mais de 50 milhões de pessoas vivem abaixo da linha de pobreza, catando restos de comida no lixo para tentar sobreviver.

No Brasil da miséria, há comida sobrando…

Como entender uma campanha eleitoral que gasta tanto dinheiro enquanto verbas públicas são congeladas por vinte anos e os trabalhadores enfrentam arrocho salarial? Ao mesmo tempo que a classe trabalhadora luta por uma vida melhor, pelo direito ao emprego, à educação, saúde, lazer, assistimos programas eleitorais apresentar os responsáveis pela onda de corrupção, pelo desemprego e a miséria, na maior cara-de-pau pedindo o voto de quem vivem explorando.
Muitas dessas candidaturas são bastante conhecidas do povo, pois vivem aprovando projetos e leis contra os trabalhadores.

“Família, eh! Família, ah! Família…”

O refrão da música dos Titãs nos faz lembrar a campanha eleitoral no RN, onde as oligarquias que disputam o poder político se aliam para repartir entre si toda a riqueza do nosso estado. Através de campanhas milionárias, vovô, vovó, sobrinha, netos, mães, pais e filhos fazem de tudo para continuar morando juntos nos palácios. Tudo à custa do povo. Enquanto isso, a maioria da população continua morando nos barracos da cidade. É a briga da burguesia para se manter no poder contra a luta da classe trabalhadora por igualdade e justiça social.

Não ajude a eleger quem nunca lutou por você. Pense nisso antes de votar.

Manifestação #EleNão reúne milhares de pessoas em Natal

 

No Brasil inteiro milhões de pessoas atenderam ao chamado do movimento Mulheres Unidas contra Bolsonaro e ocuparam as ruas com o grito #EleNão.

Os protestos deste sábado (29/9) também ocorreram em várias partes do mundo, repercutindo a rejeição, especialmente por parte das mulheres, ao candidato do PSL à presidência Jair Bolsonaro.

Em Natal um ato público em frente ao shopping Midway Mall reuniu milhares de pessoas. Camisetas, faixas e cartazes deram o tom dos protestos juntamente com muita batucada e palavras de ordem contra o fascismo, o machismo, a homofobia e o racismo.

“Nem recatada e nem do lar, a mulherada tá na rua pra lutar”

“#EleNão é uma pauta que une toda a sociedade, mulheres, LGBTs, a classe trabalhadora em geral está presente neste ato para dizer que não aceita o fascismo, e a juventude nunca se calou nem vai ser hoje que vai se calar”, afirmou Ícaro Cícero.

“Somos contra a tortura, a violência, o racismo, a misoginia que o candidato Bolsonaro prega. É impossível a gente querer uma pessoa que só quer o mal, então, #EleNão”, declarou Ana Cláudia.

Viva a Literatura de Cordel: Patrimônio Cultural do Brasil.

 


 POR LUCIANO CAPISTRANO // PROFESSOR E HISTORIADOR

 

“Eis a real descrição
Da história da donzela
Dos sábios que ela venceu
E a aposta ganha por ela
Tirado tudo direito
Da história grande dela”

(História da donzela Teodora – Leandro Gomes de Barros)

No dia 13 de setembro de 2018 a Literatura de Cordel é reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil. Importante ato, pois o Cordel tem há muito tempo uma grande referência na cultura do brasileiro.

O dia 13 me fez lembrar de um velho amigo, o senhor Macilon, eu ainda jovem, ainda sem a calvície e os poucos cabelos brancos de hoje. O conheci quando morava no conjunto habitacional Santa Catarina e me fiz de comerciante, tempo em que me aventurei no mundo empresarial das livrarias e papelarias. Pois bem, seu Macilon todo final de tarde vinha me visitar na avenida Blumenau, onde localizava-se meu estabelecimento comercial, na verdade uma pequena loja.

O fato é que todo final de tarde, sentados no batente da porta da loja, eu e seu Macilon conversávamos sobre a vida e as memórias vividas por aquele senhor. Na época eu me achava tão jovem. Bem, o tempo passa. Em nossas conversas o cordel sempre esteve presente e, particularmente, a História da Donzela Teodora.

Quando vi a notícia do reconhecimento do Cordel como Patrimônio Cultural do Brasil, me lembrei logo de meu velho companheiro das tardes do Santa Catarina. Como era gratificante ir aos sábados na feira do conjunto Santa Catarina e procurar cordéis para alimentar minhas conversas com seu Macilon. Brincávamos com o fato dele ser o Macilon do bando de Lampião. Reminiscências de lado, vejamos o mote deste, curto, artigo:
A  Literatura de Cordel: Patrimônio Cultural do Brasil.

A Literatura de Cordel tem o reconhecimento merecido, por muito tempo já aclamado como Patrimônio do povo brasileiro, agora recebe o reconhecimento oficial.

Leandro Gomes de Barros, considerado o pai do cordel, deve está comandando lá no céu a celebração da poesia sertaneja. Uma literatura tão fundamental quanto a dita erudita. Neste quesito me filio ao campo dos estudiosos da cultura que não fazem distinção entre popular e erudito. Poesia é poesia e ponto. Como nos ensina o poeta e pesquisador Aderaldo Luciano:

Vamos abrir um parêntese para divertir que aqui não desejamos fazer distinção entre o que se denomina literatura popular e o que se determina literatura erudita. Para nós existirá Literatura. Não haverá, pois, para nós, poesia popular, a cuja abrangência reservou-se vincular o cordel. Essa distinção, segundo percebemos, reside na forma preconceituosa e excludente com que as elites intelectuais sempre trataram as produções que não saíssem de suas lides ou que não seguissem os seus ditames. Popular seria aquela poesia produzida pelo “povo”, os não letrados, os trabalhadores rurais, os habitantes dos guetos. Erudita seria aquela produzida pela elite intelectual, frequentadora da escola e detentora do poder econômico.(ADERALDO, Luciano. Apontamentos para uma História Crítica do Cordel Brasileiro. São Paulo: Editora Luzeiro, p. 17, 2012).

É neste sentido que penso a literatura de cordel, como uma forma de expressão nascida entre as camadas mais populares, agora sem o ranço, ainda presente entre alguns segmentos, de uma literatura “menor”. Não a distinção das formas de poesias, não se justifica a divisão: erudita e popular, principalmente quando acompanhado do viés preconceituoso.  A poética cordelista tem uma vastidão temática, como acentua o pesquisador Irani Medeiros:

O cordel usa tudo, ou quase tudo, como motivo para criação dos folhetos dos poetas populares. Desde os romances tradicionais – Carlos Magno e os Doze Pares de França, a Imperatriz Porcina, João de Calais, etc -, que nos chegaram da Idade Média, através do romanceiro ibérico, sendo aqui readaptado à ecologia e aos sentimentos nordestinos, até assuntos históricos brasileiros, fatos ligados à religiosidade, ao misticismo, à vida campestre, crimes, acontecimentos mais recentes da atualidade universal[…] (MEDEIROS, Irani. Leandro Gomes de Barros: no reino da poesia sertaneja. João Pessoa: Editora Idéia, 2002, p.13)

Nos tempos do “Cantinho do Poeta”, do saudoso cordelista Zé Saldanha, o dia 13 de setembro teria sido saudado com muita alegria. Ao lado de Bob Mota, Zé Saldanha deve ter feito, lá no céu, versos celebrando a Literatura de Cordel: Patrimônio Cultural do Brasil.

Enfim, finalizo, agradecendo aos resistentes cordelistas, em nossa cidade representados na Casa do Cordel e na Estação do Cordel, lugares vivos, localizados no bairro Cidade Alta.

Em busca dos direitos culturais indígenas

 

“Visões e saberes: em busca dos direitos culturais indígenas” foi o tema da mesa de debate promovido pelo CineLegis, um projeto de ações associadas do curso de direito da UFRN. De acordo com os organizadores do evento, o objetivo é “colocar em pauta essa temática dentro do meio acadêmico e repensar a questão da efetivação de tais direitos”.

 

Durante a atividade realizada na noite desta quinta-feira (20/9) no auditório do Nepsa/UFRN, foi exibido o documentário “Em Busca do Saber”. Em seguida o diretor do curta-metragem, Alberto Álvares Guarani, falou sobre a importância do cinema para guardar a memória e contar as histórias dos mais velhos, além de dar visibilidade aos povos indígenas. “Eu conto o sonho e a história do povo guarani no filme e quando termina já começo a sonhar outro para levar nossos sonhos mundo afora”, declarou o cineasta indígena.

A mesa de debates ainda contou com a participação da advogada Luciana Daltro, que tratou sobre a questão indígena em seu mestrado.

O bacharel em direito Mateus França, especialista em pluralismo jurídico, também esteve presente e fez questionamentos sobre o papel do sistema jurídico e sua legislação na relação com o tema em questão.

Para o cacique Luiz Katu, “Quando falamos de cultura indígena estamos falando do nosso fazer milenar, não só dos povos indígenas do Rio Grande do Norte, mas também do fazer das 305 etnias que existem ainda nesse país, das 274 línguas ainda faladas”.

→Confira entrevista na TV Coletiva

XVI semana de antropologia

evento que aconteceU ENTRE OS DIAS 4 E 6 DESTE MÊS na UFRN
teVE como tema “Histórias e desafios das 
Antropologias
nos (dos) Nordestes do Brasil”

Foto: Rogério Marques

A Semana de Antropologia é organizada pelo Departamento de Antropologia e o Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFRN desde a primeira edição no ano 2000. O objetivo é promover o debate sobre o fazer etnográfico e as questões no campo do conhecimento científico.

Neste ano de 2018 o evento colocou em pauta a Antropologia produzida no Nordeste brasileiro. Para isso a programação incluiu mesas de debates e Grupos de Trabalho onde foram apresentadas pesquisas desenvolvidas por estudantes de pós-graduação.

Quadrinhos e muita produção literária na FliQ

A 8ª edição da Feira de Livros e Quadrinhos de Natal (FLiQ), que encerrou nesta terça-feira (04/9), mostrou o seu grande potencial.

A programação iniciada no dia 31 de agosto, na Arena das Dunas, teve muito bate-papo, cordel, quadrinhos e apresentações artísticas.

A cordelista Tonha Mota explica que o cordel é uma literatura genuinamente brasileira, por isso está firme e forte mesmo diante de todas as tecnologias modernas. Orgulhosa do ofício ela recitou sua poesia ao lado dos cordéis com o selo da Estação do Cordel.

“Sou a rima e oração
Eu sou um verso inspirado
Sou cordel metrificado
Faço parte, sou a prenda
Sou de fato, não sou lenda
Sou a nordestinação”

A xilogravura de Jefferson Campos em exposição na feira é outra expressão artística tradicional que resiste às novas tecnologias, seja ilustrando as capas de cordéis ou como meio de linguagem própria. “A FliQ está sendo importante porque divulga e mostra que ainda existe xilógrafos em atividade, isso cria um despertar para novas pessoas e apreciadores da xilogravura”, disse Jefferson.

Um dos idealizadores do Cuscuz HQ, evento independente que reúne colecionadores de quadrinhos no Rio Grande do Norte, Jean Carlos conta que a ideia surgiu entre um coletivo de amigos que são apreciadores de quadrinhos. “A gente teve a ideia de gerar um evento onde pudéssemos nos reunir e promover a nona arte, então a gente gerou o Cuscuz HQ”.

Wanderline Freitas afirma que começou a desenhar há 26 anos. “Eu costumo dizer que meu professor foi os quadrinhos porque eu lia história em quadrinhos e queria fazer aqueles personagens. A partir daí foi que eu comecei a desenhar, hoje vivo da arte, fazendo caricatura, ilustração, quadrinhos, ensinando”, explicou.

Aquarela e lápis de cor fazem parte do trabalho de Thayná Almeida. “Eu faço meus desenhos a partir de músicas que gosto, poemas, algumas poesias são próprias”, disse mostrando o seu primeiro zine, todo feito de forma independente, que foi lançado durante a FliQ. “Foi tudo feito em casa, ralação mesmo, na batalha”, mandou o recado mostrando que as ilustrações, todas em aquarela, foram feitas a partir de um texto de sua autoria.

A ilustradora digital Yzze N. relata que a sua especialidade é a ilustração utilizando novas técnicas, como pintura digital ou até colagem. “A área que mais gosto é a sequencial, que são animações, quadrinhos, o audiovisual voltado para que eu consiga mostrar um pouco do meu traço”. Durante a feira ela também lançou um livro só com desenhos prontos para serem pintados/coloridos.

A FliQ é um evento que se fortalece ainda mais a cada ano e tem como foco estimular os quadrinhos, a leitura e a produção literária.

Ao Museu Nacional, nossos sentimentos.

 

NÃO HÁ PALAVRAS, NEM LAMENTO MAIS PROFUNDO QUE TRADUZA O PESAR DE NÃO
MAIS TERMOS NA QUINTA DA BOA VISTA, NO RIO DE JANEIRO, NOSSO ILUSTRE PATRIMÔNIO,
O BICENTENÁRIO MUSEU NACIONAL – UFRJ.


 POR JUSSARA GALHARDO // ANTROPÓLOGA E ESCRITORA

 

 

Consumido pelas chamas do descaso ardeu até perecer um significativo acervo que continha cerca de 20 milhões de itens, totalmente destruído. Fósseis, múmias, registros históricos, obras de arte, incontáveis pesquisas simplesmente viraram pó, cinzas. Pedaços de valiosos documentos queimados foram parar em vários bairros da cidade, esquartejados por uma politica soberba, que insulta e desdenha a cultura, a educação, a pesquisa e o patrimônio nacionais.

A morte do Museu Nacional torna-se um símbolo de um país que também se esvai nas chamas da desgovernabilidade, da corrupção, das injustiças sociais, que nos assola, que nos desnuda de direitos como cidadãos, direitos dos trabalhadores, assim como o fim de projetos de educação, de moradia e saúde, a destruição dos valores morais e éticos, o congelamento sobre os direitos sociais por vinte anos, a destruição do patrimônio nacional e crime de lesa-pátria contra a Eletrobrás, Petrobrás, Embratel, Embraer, etc.

Arde o país numa inquisição impiedosa, em que a dignidade e esperanças quase não mais há. Onde se deu lugar a apologias nazifascistas, à violência generalizada, ao machismo, ao classicismo, ao racismo.

Vale aqui evidenciar alguns aspectos voltados para questões de prioridades nesse país de faz-de-conta. Faz-de-conta que combate a corrupção e os seus atores. Um exemplo é a intervenção militar que desde seu início até junho deste ano já custou ao contribuinte cerca de R$ 46 milhões para nada resolver. Da mesma forma é importante saber que o orçamento por ano do Museu Nacional era equivalente ao salário anual recheado com benefícios de um juiz federal. Portanto, gastamos mais com Carmen Lucia, seus colegas e suas edificações suntuosas que com o Museu Nacional.

Como se não bastasse, vale lembrar dos R$ 385 milhões desviados nos esquemas do ex-governador fluminense Sérgio Cabral e por que não falar das joias, diamantes cravejados em colares, anéis, pulseiras e brincos de sua ex-primeira dama? Uma única joia – o par de brincos de turmalina, cravejado de diamantes, custou R$ 612 mil para os cofres públicos. Isso representa mais que o orçamento anual do MN em cada um dos últimos seis anos. Ao todo foram R$ 5,7 milhões gastos em joalherias luxuosas para seu próprio deleite.

Em maio de 2003, início do primeiro mandato do governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi lançada a Política Nacional de Museus, documento que serviu de base para definir os rumos da preservação e do desenvolvimento do patrimônio museológico brasileiro. Já naquele ano, os investimentos no campo museal subiram de R$ 24 para R$ 44 milhões. Com a criação do IBRAM, instituído como uma autarquia vinculada ao MinC em 2009, o setor museológico passou a dispor de instrumento dotado de autonomia e maior orçamento para lidar com suas demandas. Os museus brasileiros também ganharam um canal direto e personalizado com o governo, o que tem contribuído de forma significativa para o desenvolvimento do campo.

No ano de 2006 estive com o Professor João Pacheco, antropólogo e curador da exposição “Índios: os primeiros brasileiros” do Museu Nacional/UFRJ, e naquela ocasião em que o trouxe para uma visita ao Museu Câmara Cascudo/UFRN ele me falou da possibilidade de apresentar sua exposição em Natal. Após oito anos – no ano de 2014 – finalmente recebemos esse célebre trabalho, que foi exposto ao público visitante em diversas salas e corredores da instituição. O conjunto da exposição mostra um verdadeiro passeio pela história do Brasil em que se apresenta o indígena no Nordeste em diferentes momentos de sua história: o primeiro encontro, o mundo colonial, o mundo indígena e os indígenas no Brasil contemporâneo. Dezenas de painéis, ricas ilustrações e fotografias, além de centenas de artefatos compõem esse importante trabalho de pesquisa.

Fotografia: Jussara Galhardo e Lenilton Lima

A exposição é fruto de anos de trabalho, articulando pesquisadores do Museu Nacional/UFRJ, representantes da APOINME e da Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ), equipe da qual resulta pesquisa iconográfica sobre os modos como as populações indígenas vêm sendo representadas desde o século XVI. Por sorte esse valioso conjunto de informações acerca da etnologia e arqueologia indígenas, por ser itinerante, escapou das chamas, estando agora no Memorial dos Povos Indígenas, em Brasília-DF.

Por fim, vale lembrar que o Museu Nacional, o quinto maior acervo do mundo, continha uma coleção rara e valiosa como: o acervo de botânica de Bertha Luz; o maior dinossauro brasileiro já montado com peças originais; duas bibliotecas; o valioso arquivo de Kurt Nimuendajú; o primeiro jornal impresso no mundo, múmias, o crânio de Luzia de mais de 11 mil anos; acervo de linguística; referências etnológicas e arqueológicas das etnias do Brasil desde o século XVI, entre tantas outras perdas.

Infelizmente, no (des)governo atual que desmantela o país, vemos o tempo inteiro tragédias anunciadas. Outros patrimônios se perdem. O que será, por exemplo, da nossa Amazônia? Um dos maiores patrimônios do planeta. O que serão das reservas florestais, minerais, ambientais, das terras e dos povos indígenas e de sua diversidade etnocultural incomparável?

Está difícil viver nesse país de faz-de-conta. Luzia é (era) de inestimável valor científico por se tratar do mais antigo fóssil humano já encontrado no Brasil e nas Américas. Ela conseguiu atravessar mais de 11 mil anos de história, mas não resistiu ao fatídico Brasil de hoje, lamentavelmente.

 

A memória virou cinza!

Por Luciano Capistrano // Professor e Historiador

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A noite de domingo, 2 de setembro, ficará marcada como o nosso “trágico setembro”.

Perdemos, a sociedade brasileira perdeu, confesso, não resisti, fui às lágrimas ao ver o Museu Nacional em chamas. Imagem do terror, um terror há muito anunciado, pois, há anos as Instituições Científicas e de Ensino sofrem o descaso de gestões públicas indiferentes à produção do conhecimento. As chamas consumiram, em poucas horas, anos e anos de pesquisas, de estudos, do acervo repleto de raridades nos diversos campos do conhecimento. Em junho passado o Museu Nacional completou 200 anos de existência em sua trajetória. Seu acervo foi enriquecido, chegando a um número grandioso: 20 milhões de itens, fazendo do seu acervo um dos mais importantes do mundo.

Luzia, fóssil mais antigo da América encontrado no Brasil, uma mulher de mais de 11.500 anos, não resistiu aos desmanches ou a não existência de políticas públicas preservacionistas de nossa memória.

Nossas casas de memórias estão em risco. O fogo transformou em cinzas raridades, como por exemplo, pergaminho datado do século XI com manuscritos em grego sobre os quatro Evangelhos; a Bíblia de Mogúncia, de 1462, primeira obra impressa a conter informações como data, lugar de impressão; a crônica de Nuremberg, de 1493, considerado o livro mais ilustrado do século XV, com mapas xilogravados tidos como os mais antigos impressos em livro. Estes são apenas uns dos milhões de documentos perdidos.

Criado por Dom João VI, ocupando um belíssimo prédio histórico, o Palácio São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, residência real desde a chegada da família imperial portuguesa, em 1808, foi a partir de 1892 instalado o museu. Na semana da pátria, quando a sociedade brasileira celebra a Independência, somos tomados pelo sentimento de perda, no que existe de mais simbólico quando pensamos em uma identidade nacional. Nossa memória se esvaiu nas chamas da irresponsabilidade de gestores malfeitores da coisa pública.

Nossa cidade Natal, como o Brasil, carece de uma política de valorização dos arquivos e museus, como espaços guardiões de nossa memória. Nestes lugares, apesar da boa vontade dos seus funcionários, falta infraestrutura e equipamentos adequados para a conservação do acervo. Um exemplo, bem ilustrativo da situação destes lugares de memória, são o arquivo Público Estadual e o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.

Volto a repetir, meu caro leitor, nossos arquivos contam com profissionais comprometidos na preservação da documentação pertencentes aos seus acervos em situação de risco. Coleções de jornais, manuscritos, fotografias, livros de óbitos, diversos tipos de documentos, enfim, encadernados, mas impossibilitados de serem consultados, pois, o estado em que se encontram correm riscos de abertos, se desmancharem, virarem pó.

Urgente faz necessário desenvolver políticas públicas referentes a preservação dos acervos guardados nestes lugares de memória. Os arquivos públicos ou particulares e museus não podem serem tratados como “lugar de mortos”, e sim “lugar de vivos”. Espaços em que encontramos o pulsar das gerações passadas, fazedores do amanhã.

Aos órgãos de preservação da memória nacional, resta efetivar uma política de salvaguardar os acervos deixados por nossos antepassados. Uma política que contemple dois vieses: a organização dos arquivos e museus e o desenvolvimento de Educação Patrimonial. Deste modo, o indicativo infraestrutura e educação caminhando de mãos dadas na guarda dos “tesouros da história”.

O Patrimônio Histórico/Cultural necessita de proteção, e, não basta apenas uma legislação, faz necessário uma ação de Estado, uma Política Pública de gestão deste Patrimônio.

Galera faz skate decolar na zona norte de Natal

Na cena do skate sempre há muitos tombos e obstáculos, mas a galera aprendeu a cair, levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima da pranchinha com orgulho e muita dedicação.

Afinal, skate é arte que pulsa movimento e atitude.

 

Na zona norte de Natal a turma é consciente que é preciso ir à luta e não esperar acontecer. Para seguir em frente a comunidade de skatistas ocupou o espaço e construiu uma pista de skate pública para liberar adrenalina e incentivar a cena local.

Independentemente de qualquer tombo o skate corre, salta e dança na pista, vencendo os buracos no meio do caminho com as manobras radicais e apaixonadas da galera. Respeito aos caras e as minas que fazem o skate decolar.

→A quadra de skate está localizada ao lado da Escola Municipal Iapissara Aguiar, no conjunto Santa Catarina, zona norte de Natal.

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