8 de março, que simboliza as lutas por direitos, igualdade e liberdade há mais de um século, “não é um dia de comemoração, mas sim, mais um dia de denúncia contra todas as formas de violência que nos afronta todos os dias, mais um dia de luta em que tomamos as ruas para dizer NÃO ao machismo”, afirma Taiana Marques, que se nega a receber flores, muito menos assobios ao andar na rua.

 

Segundo Claudia Santiago, coordenadora do Núcleo Piratininga de Comunicação, durante a conferência das mulheres comunistas, ocorrida em 1921, em Moscou (URSS), Alexandra Kollontai propõe o dia 8 de março como data unificada do Dia Internacional das Mulheres, em homenagem à greve das tecelãs e costureiras de Petrogrado (Rússia), em 1917.

Em 2020, o Dia Internacional da Mulher reafirma a origem do 8 de março como mais um dia de luta por direitos. Especialmente nesse momento em que o mundo é inundado por uma onda de retrocessos. No Brasil, o 8 de março veio reforçar as jornadas de luta das mulheres, que levaram para as ruas o grito por igualdade e pelo fim da violência que cresce assustadoramente, como os casos de feminicídio, que são crimes de ódio contra a mulher. “As mulheres jovens e negras da periferia são as que mais são assassinadas”, denunciou Adriana, da União dos Estudantes Secundaristas Potiguares, ao apontar que o Brasil é o quinto país com mais assassinatos de mulheres no mundo.

Em Natal, as manifestações ocorridas nos dias 8 e 9 mostraram o poder de mobilização das mulheres do campo e da cidade, que ocuparam a praça e a rua com protestos.

No domingo, dia 8, a praça das flores no bairro Petrópolis amanheceu ao som da batucada das mulheres, seguida de uma caminhada até a praça dos pescadores na praia do meio, onde ocorreu o lançamento da 5ª Ação Internacional da Marcha Mundial das Mulheres juntamente com um ato político e cultural.

“Mais um 8 de março pra denunciar o feminicídio, o machismo, o patriarcado”, afirmou a representante das Amélias, mulheres do projeto popular, que também denunciou todas as medidas e posturas machistas do governo Bolsonaro. “A cada dez dias uma mulher é assassinada por feminicídio no Rio Grande do Norte”, lamentou ao revelar os altos índices da violência contra a mulher.

Para Socorro, do Partido Operário Revolucionário, é necessário a unidade das mulheres e dos homens para destruir o sistema capitalista, regime que explora os oprimidos. “As mulheres não podem ficar presas à economia doméstica, cuidando da comida, cuidando da roupa, enquanto o capitalismo e o governo atacam seus direitos. É obrigação das mulheres que levantem suas reivindicações de direitos iguais e que seja destruido esse sistema que mata mulheres todos os dias.

Presente nas jornadas das mulheres, o Sinasefe/RN convocou os servidores do IFRN para se juntar a essa luta pela vida das mulheres, em defesa da democracia e contra os retrocessos do governo Bolsonaro. Além dos atos, diversos Campi do Instituto Federal promovem atividades durante todo o mês de março para fortalecer a luta de resistência.

Na segunda-feira, dia 9, o ato ao som da batucada iniciou em frente à catedral da avenida Deodoro, no centro da cidade. Em seguida, uma caminhada encheu as ruas de protesto e atos políticos e culturais. Durante o ato em frente à uma parada de ônibus na avenida Rio Branco, o testemunho de uma mulher chamou a atenção da população. Depois de denunciar que foi vítima da violência machista, ela afirmou ter orgulho de ser mulher, de ser uma nega.

“Eu sou neta de índia e tenho orgulho da minha cor, de ser quem eu sou”.

Chega de machismo,
racismo e LGBTfobia

“Nós mulheres não aguentamos mais viver com tanta violência e com tanto machismo”,  disse Rosália Fernandes, da CSP-Conlutas, ao denunciar que o governo Bolsonaro ataca as mulheres e as liberdades democráticas. “É a volta da ditadura, mas nós estamos nas ruas pra dizer que nada vai nos calar. Então, nós estamos na rua pra dizer, ditadura nunca mais, assim como estamos pra denunciar os ataques que a reforma da Previdência do governo Fátima, que é pior do que a do governo Bolsonaro, principalmente no que diz respeito às mulheres”.

“As mulheres estão nas ruas lutando contra o fascismo, o feminicídio, dizendo não à política miliciana de Bolsonaro e também lutando contra a PEC da morte, que vem penalizar as mulheres servidoras, que se encontram com duas folhas de salário atrasadas, mais de dez anos sem reajuste salarial”, protestou Janeayre Souto, presidenta do Sindicato dos Servidores Públicos da Administração Direta do RN.

→Confira imagens das manifestações em Natal