por Paulo Jorge Dumaresq

 

Telas, azulejos, porcelanas, adornos, caixas de presente e peças de vestuário compõem o universo pictórico da artista plástica Iolanda Bezerra de Oliveira.

Membro da Associação de Pintores de Porcelana do Rio Grande do Norte (APPRN), há 28 anos a artista se aventurou no mundo dos pincéis e das tintas, diga-se de passagem, com muita propriedade. As pinceladas ora fortes ora suaves nas telas e nas pinturas em objetos outros produzem marcas indeléveis na sua obra. Estamos diante de uma artista compromissada com a sua estética particular, porque singularíssima e rica de experiência.

Iolanda Bezerra de Oliveira. Foto: Eugenio Sergio

Iolanda de Oliveira flerta em diversos estilos, desde os mais clássicos aos populares, sempre com invulgar talento. Pintar a óleo paisagens que remetem ao figurativismo é característica do trabalho da artista plástica. Nesta linha predominam temas que envolvem a dança clássica, imagens sacras, casarios e reproduções de conhecidas obras plásticas. Outra vertente da obra de Iolanda de Oliveira está mais próxima do naturalismo, onde predominam telas com temas voltados à descrição de naturezas mortas e marinas, passaportes para a (re)descoberta de paisagens bucólicas e pastoris que o homem moderno tem preterido.

Foto: Eugenio Sergio

Nos trabalhos em porcelana, no entanto, há uma maior variedade de estilos, expressões e temas. São jarros, pratos, copos, quadros, entre outros objetos, submetidos às tintas e instrumentos especiais destinados a essa arte. “Pinto a peça e a ponho em um forno próprio a 750°, para queimar a tinta especial”, explica. Iolanda de Oliveira vale-se de diversas técnicas para utilizar na porcelana, destacando-se a imersão da peça na água, onde a tinta dissolvida se fixa no objeto, indo depois ao calor do forno.

Os dons artísticos de Iolanda de Oliveira não conhecem limites. Quadros feitos à base da prata boliviana são os mais procurados. O material é trabalhado por meio de moldes: “Você tira o que deseja e risca a prata, com cuidado, pois o que for riscado fica permanentemente. Os efeitos de auto-relevo são criados com um lápis especial. A prata é pintada com betume e depois de ser lavada com solvente adquire brilho especial”, sublinha.

Iolanda descobriu o talento para a arte já na maturidade, depois dos filhos adultos e encaminhados na vida. Aos 82 anos, procura manter-se informada. Não é sem razão que navega nas águas calmas da internet em busca de novas ideias para a sua pintura, pesquisa preços e troca e-mails com outros artistas. Anualmente, realiza exposição individual com as obras produzidas ao longo de 12 meses resultado da sua labuta e militância artística.