Foto: Reprodução/Sindesind-RN

Segunda-feira (07/10) a diretoria do Sindesind/RN, acompanhada da advogada do sindicato, compareceu à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE/RN) para tratar sobre o Acordo Coletivo dos funcionários do Sindicato Estadual dos Trabalhadores em Educação do Ensino Superior (Sintest/RN).

A coordenadora do Sindesind/RN, Maria Gerlane, explica que o assessor jurídico do Sintest/RN, Carlos Alberto, já havia apresentado à SRTE/RN uma justificativa de que o a entidade em questão não teria condições de promover o reajuste reivindicado pelos trabalhadores. Diante da ausência de proposta da parte do sindicato “patronal”, o mediador Cláudio Gabriel em comum acordo com os presentes agendou nova audiência para o próximo dia 21.

A representante do Sindesind/RN afirma que o sindicato vai levar as reivindicações da categoria em forma de protesto para o congresso estadual dos técnico-administrativos da UFRN e UFERSA, que ocorrerá nos dias 10 e 11. Assim como o tema do referido congresso, “Organizar a resistência contra a ofensiva da extrema direita”, o sindicato dos trabalhadores de entidades sindicais organiza a luta por reajuste salarial, em defesa do emprego e demais direitos trabalhistas. “Precisamos estar atentos e mostrar para a diretoria do Sintest/RN que a luta dos trabalhadores não pode ter como resposta ameaça de demissões”, afirmou Gerlane.

Trabalhadoras e trabalhadores do Sintest/RN lamentam as contradições entre o discurso e a prática de uma direção sindical que afirma ser de luta, mas na hora de negociar direitos trabalhistas não tem nenhum respeito pelos funcionários do sindicato.

“Lamentável que desde o dia da notificação da reunião de mediação (24/9) se passaram 16 dias e, mesmo assim, não estudaram uma proposta de reajuste. Agora vamos esperar mais 15 dias para o contador apresentar algum cenário. Quanto despreparo e descaso”, denuncia Maria Gerlane. Ela chama a atenção para a responsabilidade de ser dirigente sindical “e não ter a percepção de agregar na luta por seus empregados”.

A dirigente do Sindesind/RN lembra que já foram demitidos dois trabalhadores, uma jornalista e um profissional do administrativo, “e afirmam que vão demitir caso tenham que repassar reajuste salarial”. O que seria um retrocesso, coincidentemente, essa é uma das questões mais combatidas pelo movimento sindical.

A luta do sindicato, tão necessária para unir a classe trabalhadora diante dos constantes ataques do governo Bolsonaro e dos patrões, está sendo colocada à prova por alguns dirigentes que contradizem uma das palavras de ordem mais significativas dos trabalhadores, em especial neste momento: NENHUM DIREITO A MENOS!.

Os conflitos gerados pela luta de classes, contraditoriamente estão sendo levados para uma negociação entre sindicatos que, teoricamente, defendem os mesmos ideiais. Tal contradição precisa ser combatida, tanto quanto a “ofensiva da extrema direita”.

Vale lembrar que o Sindesind/RN defende uma pauta aprovada pelos trabalhadores do Sintest/RN, que desde fevereiro lutam por reajuste salarial, manutenção das 30h, plano de saúde e auxílio alimentação. Além da batalha em defesa do emprego.

Entre cartazes e faixas que se complementam a categoria manda seu recado para os dirigentes da entidade sindical em que trabalha: “A luta dos dirigentes sindicais não é diferente da luta dos trabalhadores de sindicatos”. E cobram do Sintest/RN, “que a sua prática não seja diferente do seu discurso”. Afinal, o sindicato é o espaço de luta da classe trabalhadora.

A temática de uma das mesas do congresso do Sintest/RN, “Desafios imediatos do movimento sindical”, será fundamental para entender de que lado está a direção da entidade que tem uma longa trajetória de lutas e conquistas.

A diretoria do Sindesind/RN promete “fazer todos os enfrentamentos necessários com o objetivo de fortalecer os trabalhadores para que seus direitos sejam preservados”.