Enquanto protestavam nas ruas neste 15 de maio contra o corte de verbas na educação, milhares de estudantes e professores foram taxados de idiotas pelo presidente Jair Bolsonaro. Mais um disparo com balas de ódio cujo alvo são brasileiros que lutam por educação pública de qualidade.

No Rio Grande do Norte, desde as primeiras horas da manhã ocorreram protestos em várias cidades do interior do Estado. À tarde, depois de se concentrar em frente ao campus central do IFRN, uma multidão percorreu a avenida Salgado Filho até a praça da árvore de Mirassol em Natal. De acordo com os organizadores, mais de 70 mil pessoas participaram das manifestações que se estenderam até o começo da noite.

“Querem dar um corte no futuro da juventude brasileira, é um absurdo este governo que veio para desmontar o Brasil. Por isso, a juventude está na rua levando a sua mensagem e dizendo não ao corte de verbas na educação”, disse o professor Antônio Capistrano, ex-reitor da UERN.

Para o professor da UFRN, Daniel Dantas, é fundamental e necessário estar na rua junto com os colegas professores, com os estudantes, lutando contra os retrocessos impostos por este governo, principalmente na área de educação. “Porque este governo quando ataca a educação ataca o futuro. Lutar hoje é lutar pelo nosso futuro”.

Aos protestos de estudantes e professores das universidades públicas, dos institutos federais e da educação básica, somaram-se os gritos do movimento sindical e popular contra a reforma da Previdência.

Ao mesmo tempo que o ministro da educação, Abraham Weintraub, tentava explicar na câmara dos deputados o corte de 24,84%, uma tesourada de R$ 1 bilhão e setecentos milhões, os chamados “idiotas úteis” lotaram as ruas de todo o país num estrondoso protesto que fez aliados correrem em socorro do governo. “O presidente nunca compactuou com esse tipo de manifestação ideológica, barulhenta”, disse a líder do governo, deputada Joice Hasselmann, que chamou o movimento de baderna.

Segundo Pedro Gorki, presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), “O papel que tem a Ubes e o movimento social como um todo, é um papel central que é a a garantia da luta de rua, da luta de massas, mas isso em volta de uma coisa principal que se chama Constituição Federal de 1988, porque é irreal a gente pensar que vai existir direito para a classe trabalhadora, direito para estudante, num momento que o nosso país não estiver numa democracia plena”.

Ele aponta que existe muito medo da juventude ter acesso a ideologia, mas a ideologia, a política, a ideia está presente em todos os lugares. “E se eles tentam todos os dias nos tirar a educação e nos tirar a esperança, eu acho que é exatamente nessa coisa que a gente tem que se debruçar. Então, o que eu digo para a juventude que está sendo reprimida por esse sistema, que está sendo atacada a sua escola pública, é se agarrar à esperança que provém da luta pela transformação da sociedade”.