O Grêmio Estudantil Paulo Freire, do IFRN Campus Zona Norte, realizou na tarde desta quinta-feira (02/5) um debate sobre “Os avanços nos direitos trabalhistas durante a história do país e os retrocessos atuais”.

A aluna do curso de Informática para Internet, Leilany Oliveira, informa que o engajamento político é uma das lutas do grêmio. “A gente procura que o estudante se engaje, que ele se politize, que tenha um conhecimento do que está acontecendo, por isso a gente promove esses debates”. Para a diretora de formação política do grêmio estudantil, essa ainda é uma tarefa difícil, mas faz parte de uma história que vai sendo construída a nível de educação e das lutas estudantis e trabalhistas. “Não vamos recuar. Diante de qualquer medida arbitrária, vamos nos manter firmes como o movimento estudantil no Brasil sempre tentou ser”.

A presidente do grêmio, Ana beatriz, diz que essa é uma tarefa fundamental. “Todo dia a gente está em constante luta para os estudantes participarem, mostrando porque é importante ter debates como o de hoje. Porque a gente também vai ser trabalhadora. Estamos nos formando para ser uma técnica e entrar no mercado de trabalho. Então, é muito importante que os estudantes participem junto com a gente”.

Para debater o tema com os estudantes e servidores do IFRN foi convidado o professor Hugo Manso, diretor de Comunicação do Sinasefe Natal. “A ideia é retratar a importância do 1º de maio, dia do trabalhador, que tem a ver com a luta dos sindicatos e a redução da jornada de trabalho”.

Hugo lembrou que, no Brasil, o Ministério do Trabalho criado em 1930 foi desmontado pelo atual governo. “Isso é uma perversidade imensa”, disse. Ele também criticou o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro feito na TV neste 1º de maio. “Ele se dirigiu ao empresariado, com foco de interesses empresariais capitalistas. Isso demonstra uma ruptura muito grande entre o anseio de uma imensa maioria de trabalhadores brasileiros e, por outro lado, um governo que não dialoga, ao contrário, ele quebra”.

Para ele, houve uma perda imensa com a reforma trabalhista, que já está em vigor.
“Um conjunto de conquistas históricas que vem da CLT, coisa dos anos 30, foram quebradas, criou-se a história do trabalho intermitente, que é algo extremamente perverso para o trabalhador dentro da legislação. Agora, como se depois do coice tivesse a queda que é a reforma previdenciária. A mudança que está em curso é extremamente danosa, perversa, por que retira das pessoas quando elas já estão fragilizadas, aí o governo dá uma pancada”.

O diretor de formação política do Sinasefe Natal, André Luiz, aponta como um dos principais desafios o enfrentamento da Medida Provisória 873 do governo Bolsonaro, que impede o desconto da contribuição sindical em folha de pagamento. Ele avalia que essa medida “vem justamente para dar outra pancada nos trabalhadores, um ataque direto e brutal à saúde financeira do sindicato”.

“A luta requer um esforço de todos nós, porque para o sindicato existir precisa de um custeio que vem dos trabalhadores, que foi agora atacado diretamente.”

André cita o exemplo do BPC (Benefício de Prestação Continuada), onde, de acordo com a reforma da Previdência, idosos e pessoas com deficiência que recebem um salário mínimo por mês receberão apenas 400 reais. “Aí você entende como é perverso isso tudo que vem pela frente”.