A Charanga do Riso disse adeus ao palhaço Xaréu, que através do artista potiguar João Maria Pinheiro fez a arte pulsar nos palcos e nas ruas.

Logo após o seu último sopro de vida nesta quinta-feira (18/4) um grande elo de palhaços e palhaças, além de artistas de todas as trincheiras da arte, saudaram esse guerreiro da risada que fez da alegria seu maior ofício.

O ator Pedro Queiroga declarou que já era fã de João desde a época do Alegria, Alegria, teatro de rua que considera um “patrimônio maravilhoso”. Ele explica que tinha recém-saído de uma iniciação básica de clow quando João e Alex, que estavam criando o grupo Artes e Traquinagens, lhe convidaram para fazer uma vivência de palhaço popular brasileiro. “Eu considero isso definitivo para o desenvolvimento do meu palhaço, a generosidade de João foi marcante desde o início, dele me convidar e se dispor a passar todo o conhecimento, que eu acho que é uma coisa que poucos tem como ele tinha em relação a esse palhaço brasileiro”.

Para Pedro, só nesse mundo imaginário e fantástico da arte do palhaço é possível imaginar uma amizade entre um peixe e um pé de pau. “Xaréu, que era o nome do palhaço de João, e Algaroba que era o meu palhaço”.

Depois que Xaréu se foi, Algaroba confessou que está pensando em aposentar seu nariz de palhaço, assim como o mestre João Maria Pinheiro, que já havia aposentado o nariz de borracha e apenas pintava o rosto para representar sua arte.

“Esse mundo fantástico do palhaço é eternizado, nunca vai morrer. É só o tempo da gente se reencontrar, começar de novo e fazer a plateia vir abaixo, como se diz em teatro”.
{Pedro Queiroga

A produtora cultural Maria Gorette, presidente da Sociedade dos Amigos do Beco da Lama (Samba), lamentou a perda do amigo João Maria Pinheiro, com quem viveu grandes momentos no grupo Alegria, Alegria. “Uma perda muito grande, João colaborou muito com o teatro do Estado, como ator, como pessoa, como diretor, enfim, como o grande artista que ele será lembrado”.

O fotógrafo Lenilton Lima, que registrou grande parte das traquinagens do palhaço Xaréu, disse que começou a gostar de teatro assistindo João Maria Pinheiro nas ruas de Natal, quando ele fazia parte da companhia de teatro Alegria-Alegria. “Depois me tornei amigo e parceiro nas aventuras do grupo Artes e Traquinagens. Nessa época vi o quanto é difícil e encantador viver da arte e cultura”.