Mesmo diante de tantas pedras no meio do caminho, a cena audiovisual potiguar não para, vai sobrevivendo, embora sentindo na pele os arranhões ocasionados pela falta de políticas públicas.

Para fortalecer o setor no Estado, aconteceu nessa quarta-feira (10/4), na UFRN, uma reunião do Fórum Audiovisual do RN. Na roda de conversa, questões sobre Câmara Setorial e Lei do Audiovisual.

 

Após os informes gerais, representantes da Funcarte (Fundação Cultural Capitania das Artes) e da Fundação José Augusto informaram quais são as perspectivas da Prefeitura de Natal e do governo do Estado para 2019.

A responsável pelo jurídico do Núcleo Audiovisual da Funcarte, Anayde Targino, afirmou que está fazendo um levantamento das informações para saber quais são as pendências, o que já foi resolvido e o que pode ser feito.

Segundo Josenildo Tavares, da Funcarte, o plano anual de cultura está sendo adequado ao plano de gestão, que trabalha com previsão orçamentária. “Teremos o Cine Natal, sim, com investimento de R$ 200 mil”, acrescentou referindo-se ao edital previsto para o segundo semestre desse ano. Na ocasião o fórum propôs antecipar logo para o primeiro semestre.

“Teremos o Cine Natal, sim.”

{Josenildo Tavares

O representante da Fundação José Augusto, Arthur Henrique, disse que todas as propostas estão sendo formatadas para o segundo semestre e no decorrer da gestão. Entre as ideias apresentadas, ele falou sobre manter um cine clube que deverá funcionar no Solar João Galvão, além da realização de mostras competitivas temáticas duas vezes ao ano.

“Temos a intenção de levar
à frente o edital Cine RN”.

{Arthur Henrique

A produtora e realizadora audiovisual, Diana Coelho, avalia que a reunião foi muito positiva. “Foi um momento super importante pra gente conversar com os gestores, principalmente o governo do Estado, que está assumindo agora, entender como está a situação do audiovisual no Estado e conseguir estabelecer um diálogo formal”.

Na sua opinião a reunião deu um passo a frente para a criação da Lei do Audiovisual. “Foi estratégico também que tenha acontecido agora no início do ano pra gente poder desenvolver juntos as ações”. Para pensar em política pública Diana diz que é preciso engajamento político e se conectar, em nível federal, como também agir regionalmente de forma muito organizada.

“Aqui no estado a gente trabalha com recursos financeiros muito escassos, mas, mesmo sem as condições propícias a gente faz acontecer”.

{Diana Coelho

O realizador Wallace Santos, criticou que as novas gestões de cultura das pastas estadual
e municipais tem projetos próprios que não dialogam com as reivindicações do audiovisual. “A impressão que eu tenho é que a gente está sempre tentando reinventar a partir dos novos gestores, que muitas vezes não conseguem abarcar tudo que já foi construído”. Ele acredita que a reunião foi positiva porque abre o diálogo que não teve em outras gestões.

“Eu espero que haja um diálogo permanente ao ponto de conseguir de fato consolidar uma política pública, tanto estadual quanto municipal”

{Wallace Santos

O fórum apontou a necessidade de manter o diálogo com a Câmara Municipal de Natal sobre a criação da Lei do Audiovisual no município. Para reforçar essa questão a ideia é eleger um grupo de trabalho que se reunirá mensalmente com Anayde Targino na Funcarte.

O mesmo deve ocorrer junto a Fundação José Augusto. O objetivo é criar uma câmara setorial do audiovisual para dialogar com representantes do governo do Estado e encaminhar as reivindicações do setor.

 

Sobre o ato do TCU

O Fundo Setorial do Audiovisual foi vítima de mais um ato que só dificulta ainda mais a vida de realizadores e produtores na terra do Pau Brasil. A medida do Tribunal de Contas da União, que no dia 27 de março passado determinou à Ancine (Agencia Nacional do Cinema) a suspensão no repasse de recursos públicos, foi um duro golpe que coloca em risco projetos que não tem condições de continuar por falta do tão aguardado financiamento.

O ato do TCU penaliza os pequenos produtores que recorrem ao financiamento público num mercado onde os investimentos são concentrados em grandes empresas do setor.
As condições para a Ancine voltar a repassar financiamento para o audiovisual dependem da análise da prestação de contas dos projetos aprovados. Para isso, terá um prazo de 60 dias, após a devida notificação, para apresentar um plano de ação.

Para o professor do curso de Audiovisual da UFRN, Ruy Rocha, “O nosso papel enquanto setorial é cobrar do governo federal que encontre soluções, meios alternativos de resolver esse problema”.