Nesse momento em que o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, determina que as Forças Armadas comemorem o golpe militar de 1964, torna-se necessário lembrar certos acontecimentos da história brasileira.

Segundo o porta-voz da presidência, general Otávio Santana do Rêgo, “o presidente não considera o 31 de março de 1964 golpe militar”. Na verdade, uma ditadura que durou vinte e um anos e foi marcada pelo fechamento do Congresso Nacional, cassação de direitos políticos e censura à imprensa.

Como pedir desculpas à família, companheiros e às companheiras de Edson Luiz de Lima Souto, estudante secundarista de 18 anos assassinado pela polícia durante uma manifestação por melhorias nas condições do restaurante Calabouço?

Acervo da Biblioteca Nacional

 

Quem cala sobre teu corpo
Consente na tua morte
Talhada a ferro e fogo
Nas profundezas do corte
Que a bala riscou no peito…

…Quem grita vive contigo
(Menino – Milton Nascimento e Ronaldo Bastos)

No ano de 1968 o Brasil vivia um dos momentos mais cruéis da ditadura. Foi nesse período turbulento que Edson Luiz mudou-se de Belém do Pará para o Rio de Janeiro. No Instituto Cooperativo de Ensino, onde estudava, ficava o restaurante Calabouço que no dia 28 de março de 1968 foi invadido pela polícia militar, que matou o estudante com um tiro no peito.

“[…] um grupo de 25 homens armados da PM, sob comando do tenente Raposo, foi deslocado ao local para reprimir a manifestação. Os estudantes, que portavam apenas paus e pedras, reagiram, ao que os policiais avançaram violentamente, sob ordens do general Niemayer, autorizados a atirar para matar” – Relatório “Direito à memória e à verdade”,  (Vol. 1., pg. 478).

O velório na Assembleia Legislativa do RJ foi transformado em ato político, que levou cerca de 50 mil pessoas para o enterro de Edson Luíz.

→Cenas do cortejo fúnebre de Edson Luís pelas ruas do Rio de Janeiro