A 5ª Mostra de Cinema de Gostoso, que aconteceu de 23 a 27 deste mês no município de São Miguel do Gostoso (RN), levou centenas de moradores e forasteiros para a beira-mar.

Fotografia: Rogério Marques

Quem não conseguia ocupar uma das 450 espreguiçadeiras enfileiradas na areia da praia do Maceió, se acomodava na própria areia iluminada pela lua cheia. Ao final de cada filme, exibido numa tela gigante de primeiríssima qualidade, muitas palmas.

No início de cada sessão era exibido um dos cinco curtas produzidos pelo coletivo Nós do Audiovisual, que é formado por jovens da cidade e comunidades vizinhas. A mostra competitiva exibiu quatro longas-metragens e oito curtas. Além disso, às tardes no centro de cultura eram realizadas sessões panorâmicas de novos longas-metragens e curtas, além da mostra infantil.

Na Pousada dos Ponteiros os debates com realizadores, atores e gente da produção revelavam os bastidores dos filmes exibidos na noite anterior.

Aos 17 anos Renata Alves falou sobre o seu primeiro filme, Derradeiro. “A experiência de ter dirigido um filme foi muito descobridora”, afirmou a integrante do coletivo Nós do Audiovisual.

Para o diretor Manoel Batista, o filme Codinome Breno trata da memória familiar. “Eu busco contar um pouco da história do meu pai, que foi militante em Minas Gerais e foi preso na ditadura”. Ele afirma que é importante ter movimentos de cineastas, artistas, músicos que viveram aquele período para que essa realidade seja contada do ponto de vista dos que sofreram com a ditadura militar no Brasil.

“A Mostra de Cinema de Gostoso é muito importante para o cinema brasileiro. O que eu percebo aqui é uma produção local muito rica, a gente vê projetos com jovens da região fazendo um bom cinema, vejo uma comunidade engajada, interessada, isso é fantástico. Estamos falando de pessoas, de cidadãos, a gente precisa sim de financiamento e apoio púbico, mas a gente precisa entender que é preciso fazer acontecer também sem investimento público. Se ficar esperando apenas pela máquina pública a gente corre o risco de sumir e ser extinto, então essa mostra está de parabéns”, declarou Adriano Cescani, repórter do portal Papo de Cinema.

Segundo o diretor Wallace Yuri, Tingo Lingo é um filme que dialoga com a cultura popular e os riscos eminentes que o trabalhador brasileiro sofre a cada dia. “O filme é uma memória afetiva minha, compartilhada com várias pessoas que já viram vendedores de cavaco chinês.”

O diretor e curador do evento, Eugenio Puppo, informa que a importância da mostra em si é formar público numa região que não tem sala de cinema. “São filmes independentes, autorais, de grande valor artístico e cultural. A gente sabe que o cinema tem um poder formador muito grande, cinema educa, transporta as pessoas para outra realidade, reflete.”

O jornalista Ruy Rocha elogiou a mostra e criticou os festivais de cinema que só se abrem para realizadores muito experientes, que ficam dialogando entre si e bem distantes do público. “A organização desse festival acertou em cheio na integração com a comunidade, na integração entre diferentes realizadores. Aqui você tem a possibilidade de conversar tanto com o pessoal que fez a oficina e tá no primeiro curta, garotada de quinze, vinte e poucos anos, que senta na mesma mesa com realizador mais experiente que já tem uma produção maior, isso deveria ser fundamento de todos os festivais.”

→Confira os filmes escolhidos através de votação popular para o Prêmio Luís da Câmara Cascudo.

Melhor Longa-metragem – Júri Popular
“Meu Nome é Daniel”
Direção: Daniel Gonçalves

Melhor Curta-metragem – Júri Popular
“Guaxuma”
Direção: Nara Normande

Menção Honrosa
“Sócrates”
Direção: Alex Moratto

Prêmio Imprensa – Melhor Longa-metragem
“Inferninho”
Direção: Guto Parente e Pedro Diógenes

Prêmio Imprensa – Melhor Curta-metragem
“Catadora de Gente”
Direção: Mirela Kruel

Prêmio Imprensa – Melhor Filme do Coletivo Nós do Audiovisual
“Filho de Peixe”
Direção: Igor Ribeiro

Prêmio Elo Company de distribuição
“Teoria Sobre um Planeta Estranho”
Direção: Marco Antônio Pereira

Prêmio Mistika de finalização
“P’s”
Direção: Lourival Andrade