A 8ª edição da Feira de Livros e Quadrinhos de Natal (FLiQ), que encerrou nesta terça-feira (04/9), mostrou o seu grande potencial.

A programação iniciada no dia 31 de agosto, na Arena das Dunas, teve muito bate-papo, cordel, quadrinhos e apresentações artísticas.

A cordelista Tonha Mota explica que o cordel é uma literatura genuinamente brasileira, por isso está firme e forte mesmo diante de todas as tecnologias modernas. Orgulhosa do ofício ela recitou sua poesia ao lado dos cordéis com o selo da Estação do Cordel.

“Sou a rima e oração
Eu sou um verso inspirado
Sou cordel metrificado
Faço parte, sou a prenda
Sou de fato, não sou lenda
Sou a nordestinação”

A xilogravura de Jefferson Campos em exposição na feira é outra expressão artística tradicional que resiste às novas tecnologias, seja ilustrando as capas de cordéis ou como meio de linguagem própria. “A FliQ está sendo importante porque divulga e mostra que ainda existe xilógrafos em atividade, isso cria um despertar para novas pessoas e apreciadores da xilogravura”, disse Jefferson.

Um dos idealizadores do Cuscuz HQ, evento independente que reúne colecionadores de quadrinhos no Rio Grande do Norte, Jean Carlos conta que a ideia surgiu entre um coletivo de amigos que são apreciadores de quadrinhos. “A gente teve a ideia de gerar um evento onde pudéssemos nos reunir e promover a nona arte, então a gente gerou o Cuscuz HQ”.

Wanderline Freitas afirma que começou a desenhar há 26 anos. “Eu costumo dizer que meu professor foi os quadrinhos porque eu lia história em quadrinhos e queria fazer aqueles personagens. A partir daí foi que eu comecei a desenhar, hoje vivo da arte, fazendo caricatura, ilustração, quadrinhos, ensinando”, explicou.

Aquarela e lápis de cor fazem parte do trabalho de Thayná Almeida. “Eu faço meus desenhos a partir de músicas que gosto, poemas, algumas poesias são próprias”, disse mostrando o seu primeiro zine, todo feito de forma independente, que foi lançado durante a FliQ. “Foi tudo feito em casa, ralação mesmo, na batalha”, mandou o recado mostrando que as ilustrações, todas em aquarela, foram feitas a partir de um texto de sua autoria.

A ilustradora digital Yzze N. relata que a sua especialidade é a ilustração utilizando novas técnicas, como pintura digital ou até colagem. “A área que mais gosto é a sequencial, que são animações, quadrinhos, o audiovisual voltado para que eu consiga mostrar um pouco do meu traço”. Durante a feira ela também lançou um livro só com desenhos prontos para serem pintados/coloridos.

A FliQ é um evento que se fortalece ainda mais a cada ano e tem como foco estimular os quadrinhos, a leitura e a produção literária.