Por Coletivo Foque | Fotos: Rogério Marques
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O I Seminário de Saúde LGBT no SUS reuniu nesta quinta-feira (11/12) Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais no auditório do IFRN da Cidade Alta, em Natal.

Além da comunidade LGBT, o seminário teve como público alvo principal os profissionais que trabalham na área de saúde com a participação de todas as regionais da Secretaria de Saúde do RN.

O coordenador do Fórum LGBT Potiguar, Wilson Dantas, explica que esse seminário teve como objetivo criar um plano estratégico dentro da saúde pública do estado, além de formalizar um comitê de políticas públicas e de saúde LGBT no SUS.
“Nós, enquanto homossexuais, quando procuramos um serviço público de saúde, principalmente as travestis, elas não são acolhidas adequadamente, não são tratadas pelo seu nome social, embora exista uma portaria que reconheça o uso do nome social no serviço de saúde pública do Brasil. Então, esse seminário tem a proposta de sensibilizar também os profissionais de saúde. Não adianta criar portarias, comitês, grupos de trabalho se nós não trabalharmos com o profissional de saúde”, afirmou Wilson.

Ele conta que este é um primeiro momento de outros que virão para que possa garantir um atendimento adequado com dignidade e respeito. “É preciso desmistificar que a única causa que faz os gays, lésbicas e travestis procurar o atendimento de saúde pública seja o HIV. Embora reconhecendo a incidência drástica de AIDS entre gays jovens, mas nós queremos também garantir que as lésbicas tenham um atendimento com dignidade quando procurar um ginecologista. Que os homossexuais tenham acesso também a um tratamento com proctologista, por que isso é uma reivindicação antiga, em virtude dos homossexuais praticarem o sexo anal. E as mulheres lésbicas, por não praticarem o sexo vaginal, elas não podem ser tratadas da mesma forma”, acrescenta.

Wilson informa que as travestis, que são profissionais do sexo, não procuram uma unidade de saúde por que elas tem uma vida diferente da sociedade como um todo. “Então, é necessário também criar um centro de referência para atendimento às travestis com horário diferenciado”.

Balas homofóbicas

“É com tristeza que temos o título de terceiro estado do Brasil com a maior incidência de violência contra homossexuais no ano de 2014”, lamentou o coordenador do Fórum LGBT Potiguar. O estado do RN registrou 22 mortes de homossexuais este ano. Só neste mês de dezembro, até agora, foram assassinados quatro homossexuais. Enquanto no último dia 10 se comemorava o Dia Internacional dos Direitos Humanos, a comunidade LGBT enterrava mais um homossexual vítima de balas assassinas e homofóbicas.

Segundo Wilson Dantas, isso se deve à falta de políticas públicas, à falta de campanhas de combate à homofobia, lesbofobia e transfobia, bem como a falta de inserção de homossexuais no mercado de trabalho. “Muitos deixam de frequentar a escola em virtude da homofobia e do bullying. Isso tem que ser discutido com a sociedade como um todo. Essas questões acabam culminando com a exclusão do meio social, agressões e assassinatos”, denunciou.